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Condomínio empresarial de Londres se reinventa para o Brexit

Jack Sidders

(Bloomberg) -- Por 30 anos, um exército de operadores do UBS Group ocupou os enormes andares de um edifício no maior condomínio de escritórios da City, o distrito financeiro de Londres. Agora, a propriedade está sendo repaginada para servir outro tipo de trabalhador.

O complexo Broadgate tem 13 hectares e foi construído para acomodar os bancos e firmas de advocacia que floresceram após o movimento de desregulamentação conhecido como Big Bang, em 1986. O local é o coração dos esforços da capital britânica para atrair mais empresas de tecnologia, uma vez que as possibilidades do setor financeiro vão encolher após a saída do Reino Unido da União Europeia. Enquanto isso, os proprietários de Broadgate planejam uma reforma para abrir o espaço para o distrito vizinho de Shoreditch, preferido pelas companhias de tecnologia.

"Claro que surgiu a questão sobre o que faríamos" com o projeto localizado em 100 Liverpool
Street disse David Lockyer, responsável por Broadgate na British Land. "Se ficássemos totalmente dependentes do nosso tradicional setor de serviços financeiros, poderíamos ficar esperando por muito tempo" para ocupar todo o espaço. A British Land é coproprietária do campus juntamente com o fundo soberano de Cingapura, chamdo GIC Pte, que se recusou a comentar o assunto.

Após um ciclo de aumento da demanda por salas comerciais que durou quatro anos e sofreu um revés com o referendo de junho do ano passado, muitos prédios construídos na década de 1980 estão ficando vazios, enquanto firmas como o UBS aproveitam o momento para se mudar para edifícios novos em Londres. Os proprietários dessas relíquias de uma era do setor financeiro que não volta mais tentam reinventar seus empreendimentos para despertar o interesse de setores que, na visão deles, serão o motor do crescimento da economia britânica pós-Brexit. O pano de fundo de incerteza política e maior oferta de espaços para locação torna esse objetivo mais difícil.

A perspectiva de longo prazo também é pessimista. O mercado de salas comerciais de Londres pode perder um quarto do valor na próxima década, à medida que mais gente trabalha de forma remota, segundo estudo da Fitch Ratings.

Vacância em alta

A taxa de vacância dos escritórios na capital britânica subiu para 5,8 por cento no fim do primeiro trimestre, comparado a 3,9 por cento um ano antes. Foi o maior aumento desde 2009, de acordo com dados compilados pela Deloitte. A parcela de salas vazias na City vai atingir 7,7 por cento em 2019, segundo a CBRE Group. Até agora, os melhores edifícios alugados por períodos longos mantiveram o valor, mas o preço das propriedades mais antigas caiu.

"Estamos observando indícios de aversão a risco por muitos investidores da ponta extrema do espectro de risco", disse Toby Courtauld, presidente da Great Portland Estates, locatária de imóveis em Londres.

Firmas como Royal Bank of Scotland Group, NEX Group e Ashurst vão abrir mão de contratos de aluguel em Broadgate nos próximos dois anos e o Deutsche Bank pretende sublocar a maior parte do espaço que ocupa no local.

Para One Finsbury Square, onde ficava o UBS, o "foco será tecnologia", com um terraço comunitário no topo do prédio, lojas, restaurantes e um cinema, contou Lockyer. "Provavelmente será nossa primeira oportunidade de criar e entregar algo diferente dentro de Broadgate e atrair personagens não financeiros", ele disse.

Contudo, um plano mais amplo de renovação - que incluía a ampliação do edifício - foi abandonado, em parte por causa do Brexit.

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