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Longevidade de americanos é maior risco para fundo escandinavo

Jonas Cho Walsgard

(Bloomberg) -- Em tempos de juros negativos, às vezes o investidor precisa ir longe para encontrar taxas de retorno decentes.

A gestora de fundos de hedge Resscapital, de Estocolmo, recorreu a um mercado alternativo e em rápida expansão, centrado em apostas sobre apólices de seguro de vida de americanos aposentados. O objetivo é gerar retorno anual de até 8 por cento em um mercado sem muita correlação com outros ativos e que, deste modo, proporciona proteção contra as oscilações das bolsas e dos títulos de renda fixa.

"É um produto com risco fundamentalmente diferente", explicou o diretor-gerente do fundo,
Gustaf Hagerud.

A Resscapital administra uma quantia relativamente modesta de US$ 87 milhões, mas participa de um mercado grande, no qual os aposentados vendem suas apólices a terceiros. Com o envelhecimento da população, esse mercado secundário deve crescer nos EUA e já atraiu investidores como a Fortress Investment Group.

A firma de pesquisas Conning estimou em 2014 que esse mercado poderia movimentar US$ 180 bilhões em 2023, embora preocupações jurídicas relativas ao cancelamento das apólices por seguradoras tenham limitado o crescimento no passado.

A Resscapital, gestora do fundo Ress Life Investments, listado em Copenhagen, administra aproximadamente 210 apólices de seguro de vida nos EUA de seguradoras como John Hancock, AXA Equitable e Lincoln International. Na ocasião da compra, os vendedores têm, na média, 78 anos de idade e expectativa de vida de 12 anos.

O truque nesse tipo de investimento é calcular a expectativa de vida corretamente. Quanto mais o indivíduo viver, será necessário pagar mais prêmios. O mais fácil e menos arriscado é comprar apólices de gente com boa saúde.

"Uma pessoa saudável de 78 anos não fica ainda mais saudável", disse Hagerud. "Nunca compramos de pessoas com doenças conhecidas. Assim fica mais fácil fazer uma análise estatística correta do seguro. Não queremos comprar de pessoas que provavelmente precisarão do seguro de vida."

A meta de retorno anual da Resscapital é 6 a 8 por cento ao longo de um período de 10 anos. A volatilidade concretizada foi 3,5 por cento. O retorno em 2016 foi 2,7 por cento e, neste ano até abril, a taxa chegou a 6,2 por cento.

"Se pudermos entregar retorno anual líquido de 7 por cento com volatilidade de 3,5 por cento, o retorno ajustado pelo risco claramente será muito competitivo", disse Hagerud, 53 anos, que já trabalhou para a Kestrel Investment Partners em Londres e para o fundo de pensão sueco AP3.

À medida que a geração relativamente abastada que nasceu nos EUA logo após a Segunda Guerra Mundial vai se aposentando, mais e mais apólices de seguro de vida devem entrar no mercado secundário. A Resscapital paga 20 a 25 por cento do valor de face e ajuda a solucionar um "considerável problema de fluxo de caixa", de acordo com Hagerud.

"Do ponto de vista de fluxo de caixa, vender a apólice é boa opção para os aposentados", ele disse. "Ajudamos a equilibrar um mercado. Pagamos aproximadamente seis vezes mais do que o valor que ficaria efetivamente disponível em dinheiro."

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