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Na América Latina, Merkel quer fortalecer G-20 contra Trump

Patrick Donahue e Eric Martin

(Bloomberg) -- Angela Merkel vai trazer para a América Latina sua campanha para defender a ordem global da presidência de Donald Trump.

Nesta quinta-feira, a chanceler da Alemanha começa uma viagem de três dias por Argentina
e México para conquistar apoio para uma agenda do Grupo dos 20 que visa estimular o comércio, proteger o clima e administrar as migrações. A visita ocorre um mês antes de Merkel receber líderes do G-20 para uma cúpula em Hamburgo.

Durante a cúpula do G-7 no mês passado, ela tentou, mas não conseguiu, convencer Trump a manter os EUA no Acordo de Paris para o clima, o que a levou a questionar o quanto pode contar com o governo americano. Agora, Merkel tenta amealhar forças para enfrentar os EUA.

"Ela essencialmente tenta chegar a um placar de 19 a 1 nessas questões", disse Jacob Kirkegaard, integrante sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional, em Washington. "Ela está tentando isolar o governo Trump o máximo possível."

Merkel é a pessoa com mais tempo no comando de um país europeu e surgiu como força estabilizadora da ordem global, após o abalo tectônico causado pela imprevisibilidade da filosofia "América Primeiro" de Trump, em meio à nova postura ambiciosa da China de ampliar seu poder por meio do comércio e também ao posicionamento assertivo da Rússia sob o presidente Vladimir Putin.

'Extremamente lamentável'

As consequências da decisão de Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris vão deixar claro até que ponto o governo americano ficou isolado em questões climáticas. Merkel pretende continuar insistindo no tema durante o fórum mais amplo de líderes em Hamburgo, nos dias 7 e 8 de julho, de acordo com informação passada em Berlim nesta semana por um integrante do governo alemão que pediu anonimato, como pede seu protocolo.

Merkel declarou que a saída dos EUA do Acordo de Paris era "extremamente lamentável". Ela ganhou aliados durante a visita de líderes da China e Índia a Berlim na semana passada. Ao lado de Merkel, o premiê Li Keqiang afirmou horas antes do anúncio de Trump na quinta-feira passada que a China cumprirá seus compromissos no Acordo de Paris. Dois dias antes, o primeiro-ministro Narendra Modi disse que a Índia continuará implantando medidas para conter a mudança climática.

Após visitar países do G-20, como Rússia e Arábia Saudita, neste ano, Merkel pretende avançar as negociações em Buenos Aires e na Cidade do México. O presidente argentino, Mauricio
Macri, vai assumir a presidência do G-20 no ano que vem. No México, o presidente Enrique
Peña Nieto tem seus próprios problemas com Trump.

"As visões de mundo dos presidentes da Argentina e do México são amplamente consistentes com a dela quanto a alguns temas globais, seja mudança climática ou gestão financeira", disse
Eric Farnsworth, vice-presidente do Conselho das Américas, organização sediada em Nova York que visa promover a abertura dos mercados. "Acho que ela será muito bem recebida."

Merkel quer promover laços comerciais mais fortes enquanto Trump favorece o protecionismo.

A Alemanha tentará concluir as negociações para um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul até o fim do ano, segundo este mesmo integrante do governo alemão.

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