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Pai em luto e sua equipe combatem morte de recém-nascidos

Dina Bass

(Bloomberg) -- John Kahan tem uma fotografia comovente em seu escritório na Microsoft, onde supervisiona dados de clientes e análises. A imagem mostra Kahan, sua esposa e suas três filhas comemorando o nascimento de um menino com o cabelo avermelhado escondido por um gorro.

Poucas horas depois que aquela foto foi tirada, Kahan recebeu um telefonema ainda difícil de contar sem sentir um nó na garganta: seu filho recém-nascido, Aaron, havia parado de respirar. Poucos dias depois, ele morreu sem explicação, vítima da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI).

No ano passado, perto do 13º aniversário da morte de Aaron, Kahan resolveu honrar o que seria o bar mitzvah de seu único filho escalando o Monte Kilimanjaro para aumentar a conscientização sobre a SMSI e angariar dinheiro para pesquisas. Quando ele voltou da escalada, sua equipe tinha uma surpresa para ele: eles estiveram analisando números sobre mortes infantis nos EUA e usando algoritmos de análise de dados para tentar encontrar novas maneiras de reduzir o número de bebês que são vítimas da SMSI todos os anos. Até agora, os cientistas de dados dedicaram cerca de 500 horas de seu próprio tempo. O empregador de Kahan, através de seu braço Microsoft Philanthropies, concedeu gratuitamente hospedagem na nuvem e ferramentas de software para contribuir com o trabalho.

Agora, implementando ferramentas de análise e visualização de dados que podem identificar tendências, a equipe encontrou pistas promissoras para combater a SMSI. A tecnologia, normalmente usada para gerar o painel de controle de desempenho diário do CEO da Microsoft, Satya Nadella, ou para dizer à equipe do Windows como melhorar o atendimento aos clientes, neste caso ajudou a descobrir várias correlações, por exemplo, vinculando o pré-natal precoce com uma taxa menor de mortes. O trabalho também fornece mais informações sobre fatores de risco conhecidos da SMSI, como o tabagismo materno.

"Aaron morreu há 13 anos. E, em 13 anos, não houve avanços significativos nesse campo", disse Kahan, que também pressiona o Congresso para preservar o financiamento da pesquisa em saúde e abrir conjuntos de dados médicos para pesquisa. "Basicamente, isso significa que cerca de 52.000 bebês morreram nos EUA e pais, como nós, simplesmente não sabem por quê."

A Microsoft estabeleceu uma parceria com uma equipe de pesquisa do Hospital Infantil de Seattle, liderada pelo neurocientista Nino Ramirez. Com acesso a um laboratório onde é possível testar diferentes fatores em fatias do tecido cerebral de ratos, a equipe de Ramirez está examinando quais possibilidades se mantêm quando pesquisadas mais profundamente. Trabalhos promissores serão publicados em periódicos de medicina e de ciência de dados a fim de influenciar a prática clínica.

"O poder de processamento na nuvem, as capacidades de visualização e a possibilidade de pegar algoritmos de ciência de dados em escala e poder examinar as correlações à velocidade da luz ? seria impossível fazer isso 15 anos atrás e, mesmo se fosse possível, seriam necessários enormes mainframes da IBM e ainda estaríamos esperando o resultado", diz Kahan.

SMSI não é uma doença, mas uma confluência de fatores que tornam alguns bebês mais vulneráveis durante um período crítico do desenvolvimento, diz Ramirez; a síndrome é mais comum durante o segundo mês de vida do bebê e normalmente não acontece depois que os bebês fazem seu primeiro aniversário. Com a SMSI, algum fator evita que o bebê obtenha ar suficiente e, em uma situação em que uma criança normal acordaria, esses bebês não conseguem acordar. Encontrar os fatores que se combinam nesses casos, ou identificar quais bebês estão mais em risco, pode ajudar os médicos e os pais a alterar os fatores de risco e monitorar de perto os bebês.

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