Produtores buscam reduzir desperdício na produção óleo de palma

Anuradha Raghu

(Bloomberg) -- Quilo por quilo, o óleo de palma tem uma enorme vantagem sobre as alternativas obtidas a partir da canola, da soja ou do girassol.

Ele é mais versátil -- encontrado em todo tipo de produto, desde chocolates até cosméticos -- e muito mais produtivo. Esse fruto carnudo rende cinco vezes mais óleo por hectare que a canola e tem um rendimento oito vezes superior ao da soja.

O problema para produtoras como a Felda Global Ventures Holdings é que a planta tropical que gera o óleo é colhida basicamente à mão e em condições perigosas que causam muito desperdício. Na Malásia, o segundo maior produtor mundial, cerca de US$ 1,2 bilhão de óleo poderá ser deixado no campo neste ano. Por essa razão, o setor está trabalhando em novas tecnologias como máquinas cortadoras elétricas e drones que espalham pesticidas com o objetivo de aumentar a produção.

"O setor está desesperado em busca do aparelho certo para melhorar a eficiência da mão de obra", disse Palaniappan Swaminathan, diretor de operações da unidade de plantio da Felda Global, em entrevista, em 1º de junho. "O principal agora é conseguir a ferramenta certa para colheita."

Diferentemente da soja ou da colza -- plantas que chegam na altura da cintura e são cultivadas em campos planos, adequados para tratores e grandes colheitadeiras --, o cultivo das palmas é complicado nas plantações muitas vezes montanhosas no clima tropical da Malásia e da Indonésia, países que, combinados, produzem cerca de 86 por cento do óleo de palma do mundo. Ao longo dos anos, o setor tem recebido críticas de ambientalistas e ativistas, e também das empresas de alimentos, depois que vastas áreas de florestas tropicais foram queimadas para abrir espaço para plantações.

Sujo, perigoso

Apesar de a produção global ter mais que dobrado nos últimos 15 anos e atingido um nível recorde devido ao rápido crescimento da demanda, os métodos agrícolas continuam perigosos e ineficientes. É necessário pelo menos um trabalhador para cada 10 hectares de plantação de palma, muitas vezes empunhando foices afiadas em bastões para cortar cachos altos de frutos de forma manual e transportá-los em carrinhos de mão. Em contrapartida, um produtor de soja dos EUA pode lavrar algumas centenas de hectares usando equipamentos modernos.

A colheita é suja, difícil e perigosa -- pelas feridas por laceração e também pelo risco de picada ou mordida de escorpiões e cobras, comuns nas plantações.

Existem alguns cortadores mecanizados, mas que funcionam apenas com árvores mais jovens, de menos de cinco metros de altura, e que não são aptos para todos os tipos de terrenos.

Um cortador melhor resultaria em uma quantidade maior de óleo de palma. Na Malásia, o setor estima que 10 por cento dos cachos do fruto são deixados para apodrecer a cada safra devido à escassez de mão de obra. Neste ano, o país deverá produzir 20 milhões de toneladas de óleo, por isso a receita perdida com o apodrecimento equivaleria a cerca de US$ 1,2 bilhão com base nos preços atuais. Na Indonésia, os prejuízos da safra são limitados por uma melhor disponibilidade de mão de obra.

Os drones também aceleram todos os tipos de processos, desde a contagem de árvores até as projeções de rendimento, segundo Arif Makhdzir, diretor-gerente da empresa Braintree. Eles podem ajudar a ampliar os rendimentos em cerca de 20 por cento e a reduzir o custo em até 50 por cento, disse ele, em entrevista.

"A indústria caminha para a industrialização usando robôs inteligentes", disse Arif. "Nós do setor do óleo de palma precisamos nos atualizar com essa tecnologia."

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