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Tóquio pode ser iluminada por país a 2.700 km de distância

Michael Kohn e Stephen Stapczynski

(Bloomberg) -- As luzes das butiques e bares de luxo do bairro Ginza, em Tóquio, podem algum dia ser alimentadas por carvão queimado a mais de 2.700 quilômetros de distância, na Mongólia. A eletricidade atravessaria desertos e mares em linhas de ultra-alta tensão.

Essa é a ideia por trás dos planos para as chamadas super-redes da Ásia, que enviariam energia de países com populações relativamente pequenas, mas com muito vento, sol e combustíveis fósseis, para centros populacionais distantes carentes de eletricidade que buscam fazer frente à demanda. Desesperada para tirar mais proveito de sua abundância de recursos para reanimar sua economia em dificuldades, a Mongólia quer transformar essa visão em realidade com um dos projetos energéticos mais ambiciosos do mundo.

O país sem saída para o mar estuda um plano de US$ 7 bilhões para construção de usinas de carvão, eólicas e solares que poderiam enviar eletricidade para a China, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão, segundo Tamir Batsaikhan, diretor de projetos do Complexo Energético Shivee. Este é apenas um conceito a respeito de como conectar mercados de energia em toda a Ásia, onde a demanda deverá crescer 3,5 por cento ao ano até 2026, segundo projeção da BMI Research.

"Olhando a questão como um todo, seria difícil argumentar contra isso", disse Simon Powell, chefe de pesquisa para distribuidoras de energia asiáticas do UBS Group em Hong Kong. "Não é tecnicamente impossível construir uma rede elétrica asiática, mas há dificuldades."

Apesar de as maiores economias da região, lideradas pela China, apoiarem os projetos, o desafio de enviar eletricidade de um país para o outro -- que vai desde as diferenças de tensões e preços até o temor por confiar o fornecimento de energia aos vizinhos -- pode fazer com que a visão da Mongólia nunca se concretize.

Um estudo de viabilidade do Shivee, o projeto de 5.280 megawatts proposto pela Mongólia, que é apoiado pela investidora estatal Erdenes Mongol e pelo Ministério de Energia do país, é previsto para o fim do mês, disse Tamir. A State Grid Corporation of China está executando o estudo e as conversas com potenciais compradores começariam apenas após sua conclusão, disse ele.

'Não podemos imaginar'

A State Grid, uma das maiores distribuidoras de energia do mundo, e o grupo japonês SoftBank, além de parceiros na Coreia do Sul e na Rússia, são alguns dos principais atores por trás das últimas ideias para desenvolver uma rede elétrica que atenderia a região nordeste da Ásia. O ex-presidente do conselho da State Grid, Liu Zhenya, sugeriu um plano ainda mais ambicioso há quase dois anos de construir uma rede global para transmissão de eletricidade de continente para continente até 2050 a um custo de US$ 50 trilhões.

"As demandas de energia das próximas três décadas serão astronômicas", escreveu Liu, atualmente presidente do conselho da Organização de Desenvolvimento e Cooperação da Interconexão Energética Global (CEIDCO, na sigla em inglês), com sede em Pequim, em coluna da Bloomberg View, em abril. "Precisaremos de energia -- principalmente limpa -- em uma escala e para uma variedade de usos que ainda não podemos imaginar completamente."

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