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iPhone antigo é nova estratégia da Apple para conquistar a Índia

Saritha Rai

(Bloomberg) -- Varuni T.V., professora de administração na Índia, passou meses de olho em um determinado smartphone. Ela gostava de sua aparência, da câmera, de seus recursos fáceis de usar. Finalmente, no final de maio, a professora de 34 anos que, como muitos no sul da Índia, usa iniciais em vez de um sobrenome, comprou o aparelho de seus sonhos: um iPhone 5S preto, um modelo lançado pela Apple em 2013. "Não me incomoda que ele seja de uma geração já antiga", diz Varuni, que dá aulas em uma faculdade em Hospet, uma cidade mineradora que fica seis horas ao norte de Bangalore. "É bom ter um telefone Apple."

A Apple precisa que mais pessoas pensem assim na Índia, onde os modelos de iPhone enfrentam rivais mais baratos que têm especificações similares, como os aparelhos da fabricante local Micromax Informatics e das empresas chinesas Xiaomi, Oppo Electronics e Gionee Communication Equipment. A Apple fabricou apenas 3 por cento dos smartphones vendidos na Índia, o mercado de mais rápido crescimento do setor, no primeiro trimestre. Agora, a companhia está deixando que lojas e comerciantes virtuais, como Amazon.com e Flipkart, reduzam os preços dos modelos antigos, uma rara concessão para uma marca que zela tão cuidadosamente sua imagem de vanguardista. Ao todo, a professora pagou 20.400 rúpias (cerca de US$ 300) por seu 5S na iPlanet, uma revendedora local. O modelo mais parecido que a Apple ainda vende nos EUA, o iPhone SE, custa a partir de US$ 400 sem impostos nem taxas.

A Apple compreendeu uma pista clara. Os telefones mais antigos representaram quase 55 por cento dos 2,6 milhões de aparelhos que a empresa enviou à Índia em 2016, de acordo com a Counterpoint Research. Enquanto o site oficial da Apple para a Índia oferece apenas o iPhone 6S e SE para compradores de aparelhos básicos, outros varejistas exibem o iPhone 5, lançado em 2012, e o iPhone 6, de 2014. O 5S, que foi substituído pelo SE, custava 15.999 rúpias durante uma promoção da Amazon em maio.

À medida que as vendas caem na China, a Apple precisa de outro mercado grande para sustentar o crescimento e seu valor de mercado de US$ 800 bilhões, e a Counterpoint estima que os indianos vão comprar mais de um bilhão de smartphones nos próximos cinco anos. "Estamos muito otimistas em relação ao nosso futuro neste país notável, com sua população extremamente grande, jovem e adepta da tecnologia, com sua economia de rápido crescimento e com sua infraestrutura de rede 4G, que está cada vez melhor", disse o CEO Tim Cook na conferência de resultados da Apple no dia 2 de maio. A empresa não quis fazer comentários para esta reportagem.

As fabricantes de telefone chinesas também estão reduzindo os preços agressivamente na Índia, um esforço para aliviar a desaceleração das vendas em seu mercado nacional. Lei Jun, um dos cofundadores da Xiaomi, disse em março que duplicaria seu investimento na Índia nos próximos três a cinco anos. A Apple pode ter dificuldades para conseguir equiparar o desconto de seus telefones.

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