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Apps podem estimular vítimas a denunciarem abusos no trabalho?

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- No ano passado, o grupo de teatro e escola de comédia Upright Citizens Brigade virou epicentro de uma discussão sobre abuso, assédio e formas de denúncia ao banir o apresentador de um programa acusado no Facebook de ter estuprado várias mulheres.

Não que o UCB, que tem postos avançados em Nova York e Los Angeles, não tivesse canais oficiais próprios para receber denúncias de má conduta. O grupo tem uma linha direta para denúncias, conselheiros disponíveis em ambos os endereços e um departamento de recursos humanos.

Mas a linha direta nunca foi muito usada. E quando as pessoas vão conversar com os conselheiros, muitas vezes hesitam em fazer um registro formal, disse Marissa Tunis, que chefia o setor de aconselhamento na sede de Nova York. "Elas temem uma retaliação", explica.

A partir deste mês, em uma iniciativa para fazer com que mais pessoas apresentem queixas formais, o UCB está oferecendo o Callisto, um aplicativo para denúncia de assédio e abuso, a funcionários, estudantes e artistas de ambas as costas dos EUA. "Queremos abordar os problemas quando eles forem trazidos até nós", disse Alex Sidtis, diretor-gerente em Nova York.

Não ficou claro se alguma das mulheres que acusaram de estupro o comediante banido havia apresentado queixa oficial; o UCB preferiu não comentar o caso. Mas organizações do tipo têm esperanças de que as vítimas de má conduta possam considerar os aplicativos mais naturais do que as linhas diretas e menos intimidatórios do que apresentar uma denúncia em pessoa -- e, como resultado, esperam aumentar a probabilidade de que apresentem denúncias.

Para o UCB, o Callisto é atraente devido a um recurso pensado para diminuir a relutância das vítimas a se tornarem a primeira pessoa a acusar alguém. Muitas vítimas não querem denunciar assédio ou abuso porque acreditam que pode ter sido um incidente pontual, ou por não terem certeza de que sofreram abuso. O Callisto permite que registrem o ocorrido sem apresentar uma denúncia formal; e então, se mais alguém denuncia a mesma pessoa, as vítimas são notificadas e indagadas se querem avançar com a queixa por abuso.

"O aplicativo diminui o risco para o denunciante e aumenta o imperativo moral de agir", disse Jess Ladd, CEO da Project Callisto, que desenvolveu o aplicativo. "A pessoa já não faz aquilo apenas por ela."

Outros aplicativos de denúncia de assédio também estão chegando aos ambientes de trabalho. Neste trimestre, a prestadora de serviços de saúde Kaiser Permanente começou a testar um aplicativo chamado StopIt em nove de seus escritórios. Em 48 horas, a empresa recebeu três denúncias e começou a investigá-las. O StopIt, que funciona como um aplicativo de mensagens, permite que vítimas e testemunhas denunciem assédio anonimamente e incluam evidências como capturas de tela ou vídeos e permite que os administradores respondam e peçam detalhes. Diferentemente de muitas linhas diretas, ele não encaminha as denúncias primeiro por meio de um terceiro; em vez disso, ele dá ao departamento de RH do empregador acesso à informação logo que a denúncia é apresentada, em tempo real.

Pelo menos em um aplicativo anônimo como o StopIt as vítimas não precisam se preocupar com a possibilidade de serem identificadas pela voz, o que reduz a chance de que possam sofrer retaliação por apresentarem denúncia. As mensagens chegam diretamente ao RH e a evidência é catalogada para futuras referências. Considerando que diversos funcionários do RH recebem os relatórios, o cuidado do caso é menos subjetivo e há menos chances de que a denúncia morra em um único funcionário do RH. "O departamento de RH tem a responsabilidade de fazer algo a respeito; eles não podem esconder a cabeça na terra", disse Todd Schobel, fundador e CEO do StopIt. "Uma pessoa não consegue encerrar o assunto."

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