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Jovens executivos bancários das Filipinas querem se divertir

Siegfrid Alegado

(Bloomberg) -- Kristel Cabuling não é uma auditora de banco central comum. Ela escala montanhas, canta em um coral e pratica pole-dancing nas horas vagas.

"Meus amigos se perguntam onde eu arranjo tempo para fazer tantas coisas", disse Cabuling, 29, especialista em compliance do banco central filipino, em um descanso do ensaio do coral. "Alguns deles, aqueles que trabalham em outras empresas, chegam a dormir no escritório só para cumprir os prazos."

As Filipinas são o lar de uma das populações e uma das forças de trabalho mais jovens do mundo, o que apresenta desafios especiais para o Bangko Sentral ng Pilipinas, o banco central do país. Cerca de 44 por cento de seus funcionários pertencem à geração Y, definida como pessoas com até 37 anos de idade.

Essa geração busca um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e está perfeitamente disposta a abandonar o barco e passar para os bancos comerciais globais e locais, que também disputam profissionais. "Precisamos nos adaptar à mudança de comportamento de uma geração mais nova", disse a vice-presidente do banco, Cyd Amador, em uma entrevista. "Esta geração não se fixa apenas nos benefícios monetários, ela se preocupa também com o bem-estar, os passatempos, o desenvolvimento de habilidades e o crescimento pessoal."

A população jovem das Filipinas -- quase metade da força de trabalho tem menos de 34 anos, segundo estimativas da autoridade estatística ? é uma enorme vantagem econômica. O dividendo demográfico de uma oferta crescente de jovens trabalhadores e seu poder aquisitivo são algumas das razões que levaram empresas como Unilever e Toyota Motor a se expandirem nas Filipinas, ajudando a impulsionar um boom econômico nesta década. Essa realidade contrasta com a de países como o Japão e a Coreia do Sul, onde a força de trabalho está diminuindo.

A população em idade ativa de Manila, cerca de 8,5 milhões, aumentará em até 2,5 milhões em 2030 -- o equivalente ao total de trabalhadores de Roma hoje, de acordo com a McKinsey & Co. O consumo das pessoas em idade ativa na capital filipina crescerá US$ 74 bilhões durante esse período, estimou a firma em um relatório do ano passado.

A idade média no banco central filipino caiu de 48 para 38 na década concluída em 2016 e pode diminuir ainda mais quando o presidente da instituição, Amando Tetangco, 64, se aposentar em julho. Seu sucessor, Nestor Espenilla, tem 58 anos.

No entanto, para os empregadores existem dilemas e desafios: recrutar e reter os melhores profissionais é mais difícil com os trabalhadores mais jovens, que exigem benefícios e têm oportunidades de emprego em todo o setor financeiro na Ásia.

Bem-estar

O banco central tem uma academia de 400 metros quadrados e uma pista de corrida na cobertura, onde é possível encontrar os funcionários após o trabalho. As autoridades também estão estudando horários flexíveis, opções para trabalhar em casa e cápsulas de dormir para a equipe.

A geração Y prioriza programas de bem-estar e o desenvolvimento da carreira, disse Iris Anne Hamada, consultora sênior da empresa de gestão Aon Hewitt em Manila. Apenas um em cada três filipinos jovens planeja permanecer durante mais de cinco anos na empresa em que trabalha, de acordo com um estudo realizado pela Deloitte LLP em 2017.

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