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Acordo Amazon-Slack pode fazer sentido por cinco motivos

Spencer Soper e Ellen Huet

(Bloomberg) -- Toda grande companhia de tecnologia que vende softwares corporativos tem motivos para ficar de olho no popular serviço de chat para empresas da Slack Technologies. E agora o interesse pode estar ficando sério: a startup de São Francisco está despertando a atenção como possível alvo de aquisição de diversos compradores, incluindo a Amazon.com, a um preço de pelo menos US$ 9 bilhões, publicou a Bloomberg na quarta-feira.

A esse preço, a compra da Slack seria a maior aquisição da história da Amazon. O que a Amazon ganharia com o investimento? E por que a Slack -- cuja última avaliação dos investidores foi de US$ 3,8 bilhões -- poderia concordar com a venda? O atrativo pode estar nas mensagens e comunicações corporativas.

A Alexa chega aos escritórios: a Amazon tem buscado disseminar a Alexa, sua plataforma ativada por voz, para as massas. O ambiente de trabalho, território da Slack, é o elo perdido. E a Alexa tem habilidades que seriam úteis no trabalho, como a de adicionar reuniões ao calendário por meio de voz, em vez de usar os dedos, e a de ditar mensagens para colegas.

Melhora da nuvem: as funções de chat corporativo da Slack e sua integração com outros serviços como Dropbox e Github poderiam ajudar a Amazon a reduzir a diferença em relação à Microsoft e à Alphabet no ramo de computação em nuvem, além de complementar outros produtos da empresa, como o Chime, uma ferramenta para conferências on-line em vídeo e compartilhamento de arquivos.

A Amazon quer vender produtos a você também no trabalho: a Amazon tem um mercado cada vez maior voltado às vendas de empresas para empresas, o Amazon Business. Ele ajuda fazendeiros a encomendarem peças de trator, universidades a encontrarem equipamentos de laboratório e funcionários de escritório a conseguirem bons descontos em canetas e blocos de papéis, por exemplo. A empresa quer trazer a experiência das compras digitais do varejo, ramo em que é pioneira, para o ambiente de trabalho, no qual muitos pedidos ainda são realizados por telefone e com formulários de papel.

A Amazon não possui uma grande plataforma de mensagens: os 5 milhões de usuários do software da Slack obviamente são insignificantes se comparados à base de 1,2 bilhão de usuários do Messenger, do Facebook. Mas é preciso começar com algo. Como as mensagens continuam respondendo por uma fatia maior do tempo e da atenção dos usuários de celulares, a Slack poderia se transformar no ingresso da Amazon para uma plataforma popular de chat. Os usuários do software da Slack adoram o serviço -- ele muitas vezes é implantado nas empresas de baixo para cima, levado para dentro por fãs dedicados -- e alguns até o usam em suas vidas pessoais, para organizar saídas com grupos de amigos ou para projetos fora do trabalho.

A Slack quer acesso a grandes empresas: desde janeiro, quando estreou uma versão de seu serviço especificamente para grandes empresas, a Slack vem trabalhando para somar clientes maiores como a IBM, que foi uma das primeiras a testar o serviço. Atualmente, 30.000 funcionários da IBM usam o software da Slack. Mas a conexão mais forte normalmente se dá com pequenas startups. A Amazon poderia ajudar a Slack a ter acesso a companhias maiores que já utilizam AWS e outras ferramentas de produtividade da Amazon, basicamente da mesma forma que a Microsoft oferece seu produto Teams -- concorrente do programa da Slack -- gratuitamente para os grupos que usam Microsoft Office 365.

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