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BCE teme expectativa de inflação baseada em salários

Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu está observando os salários e as expectativas de inflação para definir como proceder com seu programa de estímulos, disse o membro do Conselho Governativo Jan Smets.

Embora esteja mais confiante na força do crescimento econômico da zona do euro, o BCE ainda não vê sinais convincentes de que a estabilidade dos preços possa ser mantida sem apoio monetário, disse o presidente do banco central belga, em entrevista concedida em Bruxelas, na segunda-feira.

"O núcleo de inflação está subindo, segundo nossas projeções, mas as expectativas de inflação continuam bastante baixas e realmente precisamos restabelecer com solidez essas expectativas de inflação -- isso é muito importante para a política monetária", disse ele. "O crescimento salarial é algo que observaremos bem de perto."

O indicador preferido de expectativas de inflação do BCE diminuiu neste ano após subir no fim de 2016. O crescimento salarial diminuiu nos últimos dois anos e mostra lentidão até mesmo em países como a Alemanha, cujo índice de desemprego atingiu uma mínima recorde.

"Ainda há dúvidas sobre se as expectativas estão suficientemente ancoradas sem a nossa acomodação", disse o presidente do banco central belga. "É o que temos de combater com nossa política monetária. Devemos retornar à dinâmica de inflação doméstica normal."

A cúpula do BCE deu um pequeno passo em direção ao fim de seu programa de estímulo na reunião de junho, quando informou já não ter expectativas de novos cortes das taxas de juros e concordar que os riscos ao crescimento econômico agora estão equilibrados. Mesmo assim, os membros do conselho evitaram discutir o que acontecerá com seu programa de compra de títulos de 2,3 trilhões de euros (US$ 2,6 trilhões) no ano que vem e o presidente Mario Draghi pediu paciência.

"A recuperação econômica está ajudando, claramente está indo na direção certa", disse Smets. "O reflexo da recuperação econômica em uma redução suficiente da folga na economia e em uma inflação mais alta, como uma espécie de processo natural, sem estímulo monetário -- é isso que teremos que ver."

Dia triste

O Conselho Governativo prometeu continuar comprando 60 bilhões de euros em dívidas por mês até o fim de dezembro, pelo menos. Smets disse que a cúpula do BCE não deixará a decisão para o último minuto.

"Não vamos esperar até a véspera do ano-novo para dizer o que acontecerá em 1º de janeiro", disse ele. "Vamos ter que examinar isso nos próximos meses, eu diria."

No dia de início das negociações formais do Brexit em Bruxelas, o belga de 66 anos também expressou sua decepção com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, mas disse que o fato pode estimular o continente a levar seus próprios planos adiante.

"O início da negociação de algo que é claramente uma desintegração é um dia muito triste", disse Smets. "Dentro da zona do euro estamos mostrando um forte dinamismo, estou muito satisfeito com isso, e acho que, para reforçar isso talvez possamos aproveitar a oportunidade deste triste acontecimento para tentar ir além, para avançar e aprofundar a união monetária europeia."

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