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Inspirada no iPhone, Ford quer vender carros chineses nos EUA

Keith Naughton, Claire Ballentine e David Welch

(Bloomberg) -- Os americanos compram milhões de dólares em produtos fabricados na China todos os dias. Então, por que não adicionar o Ford Focus à lista?

Segundo Joe Hinrichs, presidente de operações globais da Ford Motor, em comentário sobre o plano de transferir a produção do carro para uma fábrica em Chongqing, isso não seria um grande problema. "Os consumidores se preocupam muito mais com a qualidade e com o valor do que com o lugar de origem", disse Hinrichs. "O iPhone é produzido na China e as pessoas não dizem nada a respeito."

Pode ser, mas o produto da Apple é fabricado lá desde o início, enquanto a Ford nunca produziu nenhum de seus veículos na China para consumidores americanos. A aposta do novo CEO da Ford, Jim Hackett, aliás, transformará o Focus no maior produto automotivo de exportação da história da China para os EUA.

Existe um risco porque "esta é uma grande mudança de uma marca de automóveis sempre associada ao mercado americano", disse Jeff Schuster, analista da LMC Automotive. "Mas se o veículo atender às necessidades do comprador, acho que o problema será menor do que antes."

Teste para Trump

Há um americano que pode não gostar disso: o presidente Donald Trump. Ele criticou a Ford no ano passado quando a empresa anunciou que começaria a produzir no México seu segundo carro mais vendido nos EUA. Durante a campanha à presidência, Trump também censurou a China por, segundo ele, manipular o câmbio, e reclamou do que chamou de práticas comerciais injustas do país.

Por enquanto, o secretário de Comércio de Trump, Wilbur Ross, pareceu dar luz verde à Ford, declarando que o plano de Chongqing "mostra a flexibilidade das empresas multinacionais em termos geográficos". Ross acrescentou, contudo, que o governo espera que essa flexibilidade valha para os dois lados.

"Eu acredito que quando as políticas e reformas do presidente Trump se consolidarem, mais empresas começarão a ter instalações nos EUA, a exemplo de diversas fabricantes de veículos alemãs e japonesas", afirmou.

A Ford tentou minimizar a mudança para a China anunciando também que investiria US$ 900 milhões em sua fábrica de Kentucky para produzir grandes SUVs. Hackett não telefonou para Trump como fez seu antecessor, Mark Fields, quando a empresa decidiu eliminar uma fábrica de carros pequenos no México, em janeiro. Em vez disso, a equipe de relações governamentais da Ford em Washington informou o governo a respeito do acordo na China após o anúncio feito na manhã de terça-feira.

Um cenário considerado pela Ford ao avaliar a China foi a possibilidade de que o Congresso, em última instância, aplique tarifas punitivas à importação de produtos fabricados no exterior. A conclusão foi que ainda assim a transferência faria sentido. A Ford prevê uma economia US$ 1 bilhão com o encerramento da produção norte-americana do Focus e a importação do modelo, em grande parte da China.

A Ford estima que começará a fabricar o Focus em Chongqing no segundo semestre de 2019. A General Motors tem exportado alguns Cadillacs e Buicks da China, enquanto a Volvo -- atualmente de propriedade chinesa -- despachou alguns sedãs S60 para os EUA. Nenhum desses veículos se compara ao Focus em volume: a Ford vendeu 168.789 unidades do modelo nos EUA no ano passado.

Título em inglês: Ford's iPhone-Inspired Gamble: Chinese Cars Will Sell in America

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