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Brexit encarecerá morangos se fazendas perderem trabalhadores

Manisha Jha e Agnieszka de Sousa

(Bloomberg) -- Os morangos, um deleite que se come todos os anos nos torneios de tênis de Wimbledon, poderão ficar muito mais caros para os britânicos se o Brexit deixar as fazendas sem trabalhadores temporários suficientes do exterior. E há sinais de que a escassez de mão de obra já esteja aumentando.

Os preços do morango e da framboesa subirão de 35 por cento a 50 por cento se os produtores britânicos perderem acesso aos trabalhadores de verão, quase todos vindos de outros países da União Europeia, segundo relatório encomendado pela associação do setor British Summer Fruits. A falta de mão de obra reduziria a produção de frutas do Reino Unido e tornaria necessário importar para compensar o déficit.

O problema pode estar chegando mais cedo que o esperado. Em maio, fornecedores de mão de obra tiveram mais dificuldades para oferecer trabalhadores estrangeiros às produtoras de frutas e legumes do que no ano passado, mostrou uma pesquisa da União Nacional dos Fazendeiros do Reino Unido (NFU, na sigla em inglês) publicada na quinta-feira.

"Se o acesso aos trabalhadores sazonais não puder ser assegurado, frutas podem não ser colhidas nos campos e poderemos ver produtores transferindo operações para países com mão de obra prontamente disponível", afirmou a British Fruit Summer, que responde por 97 por cento de todos os frutos silvestres fornecidos aos supermercados do Reino Unido, no relatório.

O acesso à mão de obra após a saída do Reino Unido da UE é uma das principais incertezas e preocupações para o setor agrícola, questão que a NFU pediu que o governo esclareça. Os produtores dos chamados frutos silvestres macios empregam 29.000 trabalhadores sazonais, que representam cerca de um terço do total de empregos hortícolas do Reino Unido. Os consumidores britânicos gastam cerca de US$ 1,5 bilhão em frutos silvestres todos os anos, metade disso de produção doméstica.

Importação maior

Qualquer perda de produção geraria importações maiores de países como Holanda, França, Alemanha, Polônia e EUA, segundo o presidente da British Summer Fruits, Laurence Olins.

"Até que esses países se preparem para atender às nossas necessidades, pagaremos até 50 por cento a mais por nossos frutos silvestres, porque tardará anos para que os produtores de outros países respondam às nossas demandas", disse Olins. "A compra de outros países também provocará um impacto na nossa situação de balança de pagamentos porque estaremos comprando com uma moeda desvalorizada, já não temos uma libra forte aqui."

A libra mais fraca também pode desencorajar os trabalhadores sazonais. A queda da moeda corrente desde o referendo do ano passado efetivamente reduziu o salário dos trabalhadores em cerca de 12 por cento, segundo a British Summer Fruits.

Em maio, houve uma queda de 17 por cento no número de trabalhadores que os fornecedores de mão de obra puderam oferecer às fazendas, em comparação com um déficit de 3,8 por cento no ano anterior, segundo a pesquisa da NFU, o que representa 30 por cento da oferta total de mão de obra sazonal para o setor de horticultura. A proporção de pessoas que retornaram de temporadas anteriores para trabalhos agrícolas atingiu uma mínima recorde.

Título em inglês: Brexit Seen Boosting Strawberry Prices If Farms Lose Workers

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