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Após Brexit, Frankfurt surge como vencedora do setor bancário

Gavin Finch e Steven Arons

(Bloomberg) -- Frankfurt está despontando como a maior vencedora do referendo sobre o Brexit, realizado no ano passado, porque muitos dos maiores bancos do mundo estão escolhendo a cidade alemã como sua nova sede na União Europeia.

Standard Chartered, Nomura Holdings e Daiwa Securities Group escolheram a capital financeira da Alemanha como sua base na UE para garantir a continuidade do acesso ao mercado único. Citigroup, Goldman Sachs Group e Morgan Stanley estão analisando tomar uma decisão similar, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato porque os planos não são públicos.

"Frankfurt está bem posicionada para receber bancos estrangeiros", disse Stefan Winter, presidente da Associação de Bancos Estrangeiros na Alemanha e chefe do banco de investimentos do UBS Group no país. "Está no coração da Europa, tem uma ótima infraestrutura e aluguéis de escritório acessíveis."

Frankfurt é uma escolha natural, dado o ecossistema financeiro com o Deutsche Bank, o Banco Central Europeu e a BaFin, vista por muitos como o único órgão regulador fora de Londres capaz de lidar com os complicados negócios de derivados dos bancos. Mesmo que as perspectivas de um acordo em que o Reino Unido mantenha algum tipo de acesso ao mercado único estejam ganhando força, os bancos estão se preparando para o pior e querem ter escritórios novos ou maiores em pleno funcionamento dentro do bloco antes que o Reino Unido saia formalmente em 2019.

Londres poderia perder 10.000 empregos bancários e 20.000 papéis em serviços financeiros à medida que os clientes transferirem 1,8 trilhão de euros (US$ 2,3 trilhões) de ativos para fora do Reino Unido após o Brexit, de acordo com o think tank Bruegel. Outras estimativas variam entre apenas 4.000 e até 232.000 empregos. A Bloomberg News realizou entrevistas e revisou declarações públicas para descobrir o que cada grande banco está planejando.

Bank of America
O Bank of America vê a capital da Irlanda como o destino padrão de um novo centro da UE se o Reino Unido perder o acesso fácil ao mercado único, disse em março um dos principais executivos da empresa na Alemanha.

Goldman Sachs
A firma de Wall Street planeja mais que dobrar o número de funcionários em Frankfurt, para 400, enquanto começa a retirar pessoal de Londres, disse o vice-presidente da instituição internacional, Richard Gnodde, ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

O CEO Lloyd Blankfein disse publicamente que o banco engavetou os planos de transferir mais operações fundamentais para o Reino Unido

JP Morgan
O JPMorgan Chase & Co. planeja transferir entre 500 e 1.000 funcionários do banco de Londres para escritórios ampliados em Dublin, Frankfurt e Luxemburgo.

Deutsche Bank
O diretor de conformidade do Deutsche Bank disse que cerca de 4.000 empregos do credor no Reino Unido poderiam correr o risco de serem transferidos para outros lugares quando o país sair da União Europeia.

UBS
O presidente Axel Weber disse em março que o banco tomaria uma decisão final sobre a transferência de até 1.500 dos cerca de 5.000 funcionários do banco de investimento no Reino Unido logo após o desencadeamento do Brexit.

HSBC
O CEO do HSBC Holdings, Stuart Gulliver, disse em janeiro que a equipe que gera cerca de 20 por cento de sua receita de banco de investimento em Londres poderia se mudar para Paris, onde adquiriu um banco comercial francês há mais de uma década.

Título em inglês: A Year After Brexit, Frankfurt Emerges as Biggest Banking Winner

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