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Opep tem poucas chances de evitar novo bear market do petróleo

Angelina Rascouet, Wael Mahdi e Javier Blas

(Bloomberg) -- O petróleo está novamente em um bear market e os investidores se mantêm indiferentes ao acordo fechado no mês passado para prolongar os cortes de produção, o que deixa poucas ferramentas à Opep e a seus aliados para aumentar os preços.

Enquanto a Arábia Saudita, a Rússia e seus aliados diminuem a produção, a oferta que eles não controlam continua aumentando. A Líbia e a Nigéria -- países-membros da Opep isentos das restrições -- e os produtores de xisto dos EUA estão ressurgindo, situação que mina os esforços para frear uma superabundância global. Os preços estão novamente abaixo do patamar em que estavam quando a Organização de Países Exportadores de Petróleo fechou seu acordo histórico no ano passado.

Cortes ainda mais profundos -- uma ideia rejeitada há apenas um mês -- ainda parecem pouco prováveis. Pelo menos por enquanto, o compromisso dos sauditas de fazer "o que for preciso" para estabilizar os preços parece não surtir efeito.

Talvez seja preciso fazer mais reduções, mas chegar a um consenso seria difícil, disse na quarta-feira o ministro do Petróleo do Irã, Bijan Namdar Zanganeh, na rádio estatal. A reunião de um comitê em Viena nesta semana considerou de maneira superficial a possibilidade de aumentar os cortes atuais, segundo delegados com conhecimento do assunto, e se concentrou no problema do aumento da produção na Líbia e na Nigéria. A Rússia sinalizou em várias ocasiões que se opõe a qualquer redução adicional, disse um delegado.

"Aumentar os cortes é uma boa opção" para as dificuldades imediatas da Opep, mas criaria problemas a longo prazo, disse Hasan Qabazard, ex-diretor de pesquisa do grupo. "Isto seria feito à custa da participação de mercado da Opep. Será que eles querem perder participação? Acho que não, porque recentemente muitos países investiram em aumentar a capacidade."

Crescimento

Nos EUA, a produção de petróleo bruto não para de crescer porque os produtores de xisto, que se ajustaram por causa da depressão, descobriram que podem extrair petróleo de forma rentável com preços mais baixos. Na semana passada, a produção aumentou a 9,35 milhões de barris por dia, o nível mais alto desde agosto de 2015, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês). O ritmo de avanço da produção dos EUA superou o que a Opep previa, disse Zanganeh, do Irã.

Se os produtores optarem por ignorar esses inconvenientes e tentarem reduzir ainda mais a produção ou incluir a Líbia e a Nigéria, isso não vai ser fácil. A Opep e seus aliados demoraram quase um ano para chegar ao acordo do ano passado, com negociações malsucedidas em Doha em abril, um compromisso muito difícil em Argel em setembro e meses de mediações diplomáticas antes de fecharem o acordo em novembro.

Título em inglês: OPEC Has Few Escape Routes From Another Bear Market in Oil

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