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Draghi encontra estudantes portugueses antes do fórum do BCE

Piotr Skolimowski e Joao Lima

(Bloomberg) -- Rita Rodrigues e João Franco esperam conseguir emprego quando se formarem em uma das melhores universidades de Portugal, mas estão menos confiantes sobre o salário.

"Eu não tenho expectativas muito altas", disse Rodrigues, que está no último ano de Economia do Instituto de Economia e Gestão de Lisboa. "Eu não vou ganhar muito aano meu primeiro emprego", disse Franco, que está acabando a carreira de Administração, dizendo que os alunos têm que "lutar pelas oportunidades".

Os dois jovens de 21 anos poderiam ser considerados afortunados por estarem se preparando para entrar na força de trabalho no momento em que uma maré de estímulos do Banco Central Europeu reduz o desemprego e reforça o crescimento econômico. Se eles quiserem saber quanto tempo esse apoio monetário vai durar e quando os salários poderiam finalmente aumentar, esta é a oportunidade -- o presidente do BCE, Mario Draghi, irá ao ISEG nesta segunda-feira a caminho do fórum anual do BCE na vizinha Sintra.

Problemas

A viagem trará à tona os problemas que a economia da zona do euro ainda está enfrentando mesmo após mais de quatro anos de expansão. A taxa de desemprego da região é superior a 9 por cento -- e é de quase 19 por cento entre os jovens. Isso afeta o crescimento dos salários e, portanto, freia a inflação. E os países do sul da Europa, como Portugal e Itália, estão em grande medida muito pior do que seus vizinhos do norte.

Tudo isso poderia ser suficiente para reforçar a opinião do chefe do BCE de que ainda é muito cedo para que as autoridades monetárias pensem em eliminar o programa de compra de títulos de 2,3 trilhões de euros (US$ 2,6 trilhões), atualmente agendado pelo menos até o fim do ano. Draghi já lamentou que o crescimento econômico não esteja gerando um número suficiente de empregos de alta qualidade.

"O BCE por si só não pode solucionar o problema do desemprego juvenil, que é um dos maiores problemas atualmente", disse Holger Sandte, chefe de analistas da Nordea Markets para a Europa em Copenhague. "O que ele podem fazer é garantir que suas políticas mantenham a recuperação no caminho certo e esperar que os políticos aproveitem isso para criar oportunidades para os jovens."

Dados

Portugal é um exemplo disso. Na semana passada, o banco central do país aumentou suas projeções de crescimento graças ao fortalecimento das exportações e do investimento, e o desemprego caiu de um pico de 17,5 por cento no começo de 2013 para menos de 10 por cento. O índice para as pessoas de 15 a 24 anos caiu de mais de 40 por cento para 24 por cento.

Contudo, em um sinal de quanto está faltando para que a recuperação elimine a capacidade excedente, o PIB de Portugal provavelmente só superará o patamar registrado antes da crise financeira global em 2019.

Título em inglês: Draghi Meets Portuguese Youth With Poor Pay Everyone's Concern

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