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Para salvar vinho chileno, produtores transferem vinhedos ao sul

Javiera Quiroga

(Bloomberg) -- Diante de condições de cultivo cada vez mais inóspitas, a indústria vinícola do Chile está migrando para o sul e fazendo experimentos com novos vinhos.

Nas profundezas de La Unión, floresta chilena de alta precipitação que fica a quase 790 quilômetros de Santiago e onde só se pode chegar com veículos 4x4, existe um vinhedo inusitado. A Viña Trapi produz chardonnay, sauvignon blanc, pinot noir e riesling em vinhas plantadas em colinas lamacentas. A região tem em média 1,33 metro de precipitação por ano, em contraste com apenas 37 centímetros na região de Valparaiso, onde fica a maioria das vinhas chilenas.

Os proprietários Luis Moller e Rodrigo Romero decidiram fazer experiências com o cultivo de uvas para vinho em La Unión em 2010, após descobrir uma variedade de videira selvagem que crescia "maravilhosamente" na floresta perto do rio Bueno. Acredita-se que essas videiras tenham sido plantadas pelos espanhóis por volta do século 18. O experimento se transformou em um vinhedo especializado de 18 hectares que atualmente fornece uvas selvagens a grandes vinícolas da região central do Chile. Nenhuma dessas uvas seria viável sem as condições climáticas extremas da região.

"A mudança climática é extremamente evidente", disse Moller, quando perguntaram por que cultivar em um lugar tão inusitado. "Agora, todo mundo no setor vinícola está analisando essa fronteira."

A Trapi produziu 5.000 garrafas de vinho a partir de 28.000 quilos de uva neste ano. A garrafa mais barata, de chardonnay, custa US$ 20, e a mais cara, um pinot noir, custa cerca de US$ 23. Elas são tão exclusivas que só são vendidas em três lojas especializadas e em três restaurantes em Santiago.

As temperaturas atingiram picos recorde neste verão no Chile e desencadearam os piores incêndios florestais dos últimos tempos. Plantações silvícolas, vinhedos e florestas nativas sofreram danos.

Neste ano houve "uma primavera quente e um verão intensamente quente", disse Francisco Meza, professor de Agricultura da Universidade Católica em Santiago. O calor provocou uma aceleração 10 por cento maior do que o normal nos ciclos de crescimento dos cultivos, disse ele.

A colheita de uvas ocorreu três semanas antes neste ano, resultado das temperaturas escaldantes, e a produção caiu mais de 10 por cento em comparação com a dos anos anteriores, segundo um relatório divulgado pelo Ministério da Agricultura do Chile em abril.

A Viña Trapi, no entanto, não foi afetada pelo calor, graças às fortes precipitações, disse Moller.

Embora seja inevitável, a mudança climática não está acontecendo suficientemente rápido para justificar a transferência imediata dos vinhedos, disse Aurelio Montes, diretor da Montes Wines.

O ritmo da mudança climática nas próximas duas décadas obrigará as vinícolas chilenas a tomarem decisões importantes a respeito do futuro de seus negócios, disse o professor Meza.

"Uma decisão de investimento é extremamente importante para as vinícolas, por isso a maioria prefere esperar mais evidências e certezas em termos de magnitude e alcance antes de entrar em ação", disse ele.

Título em inglês: To Save Chilean Wine, Producers Head South

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