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Gestor vai contra a manada dos fundos de pensão japoneses

Yuko Takeo e Nao Sano

(Bloomberg) -- No universo de US$ 870 bilhões dos fundos de pensão dos funcionários de corporações japonesas, ele é conhecido como um idealista que há muito tempo dança conforme a própria música.

Hiroichi Yagi encheu o Fundo de Pensão Corporativo Secom de ações quando seus pares optavam pela segurança dos títulos, por entender que apoiar a bolsa japonesa era seu dever. Ele adotou critérios ambientais, sociais e de governança como forma de reduzir a volatilidade. E foi um dos primeiros a assinar o código de manejo de investidores institucionais do Japão, fazendo do Secom o único fundo de pensão corporativo fora do setor financeiro a aceitar esses padrões de adesão voluntária.

"Era a decisão natural", disse o executivo de 65 anos, em entrevista realizada em Tóquio. Logo "outros seguirão."

Fundos de pensão de empresas são uma pedra no sapato do primeiro-ministro Shinzo Abe para reformular a governança corporativa. Enquanto outros investidores prometem insistir para que os executivos administrem melhor suas companhias, os fundos de pensão são criticados por não aderirem à pressão.

O Japão tem mais de 19.000 fundos de pensão corporativos, segundo a Associação de Fundos de Pensão. Juntos, eles administram mais de US$ 870 bilhões em ativos, quantia maior do que a detida pela maioria dos fundos soberanos do planeta.

Esses investidores conservadores relutam em falar o que outras firmas precisam fazer, disse Yagi. Mas os signatários do código de manejo não têm muita escolha. Eles precisam divulgar suas orientações aos administradores das empresas, seus votos em assembleias de acionistas e muito mais.

E isso pode causar mal-estar, se for preciso votar contra a reeleição do presidente de uma afiliada ou de um parceiro de negócios importante, por exemplo.

Duas décadas

Yagi, que trabalha no fundo há mais de 20 anos e comandou o empreendimento por metade desse período, encontrou uma forma de lidar com o conflito. Basicamente, o Secom não detém ações com esse perfil. Mas ele disse que outros líderes de fundos corporativos de pensão ? que costumam ficar no cargo de três a cinco anos ? não têm tempo suficiente para desenvolver um estilo próprio.

Yagi começou a se distanciar da manada quando tentou proteger o Secom de choques financeiros recorrentes ? da crise asiática em 1997 ao colapso global de 2008. Inicialmente, ele vendeu ações para evitar perdas, mas então decidiu que não iria se proteger atrás de títulos de dívida.

"O que significa os fundos de pensão de companhias listadas evitarem o mercado acionário japonês?", ele colocou. "É uma enorme contradição. Eles estão estrangulando a si próprios."

A hesitação dos fundos de pensão em comprar ações ressalta o conservadorismo que ainda marca a cultura corporativa japonesa. Apesar de um período historicamente forte e longo de crescimento nos últimos trimestres, a quantia guardada no caixa das companhias locais aumentou para um recorde de 255 trilhões de ienes no fim de março.

Quase metade dos 90,3 bilhões de ienes do Secom está em ações, principalmente de empresas japonesas, segundo Yagi. É aproximadamente o dobro da parcela que seus pares aplicam em renda variável, de acordo com pesquisa feita junto a 100 fundos de pensão estatais e corporativos pela Rating & Investment Information.

O Secom administra ativamente praticamente todas as ações que tem em carteira. E para ter mais segurança em comprar ações, Yagi trabalha para isolar seu fundo de crises.

Título em inglês: Unusual Manager Defies Peers in $870 Billion Pension World

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