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Porto do Texas aproveita boom de produção de xisto nos EUA

Sheela Tobben e Laura Blewitt

(Bloomberg) -- No fim do mês passado, um navio petroleiro com o comprimento de três campos de futebol e altura de seis andares atravessou lentamente o porto de Corpus Christi, Texas, para sondar o terreno do florescente setor americano de exportações de petróleo bruto.

Após navegar pelo canal de Aransas por volta das 7 horas do dia 26 de maio, o navio Anne, da Euronav, não coletou petróleo. Mas sua chegada no úmido ar do sul do Texas marcou a primeira vez na história que um petroleiro desse tamanho fazia escala em um terminal americano no Golfo do México.

O Anne atracou no terminal da Occidental Petroleum para determinar se alguns dos maiores carregadores do mundo poderiam começar a transportar petróleo do Texas para compradores estrangeiros. Melhorar o transporte marítimo é necessário desde que uma disparada da produção em campos de xisto dos EUA, como a Bacia do Permiano, gerou mais petróleo do que as refinarias no litoral do Golfo do México podiam processar. E Corpus Christi quer se tornar o principal centro exportador dos EUA.

"Corpus Christi foi o primeiro porto exportador de petróleo bruto americano no ano passado e essa tendência continuará", disse John LaRue, diretor executivo do porto.

Boom

Os EUA continuam consumindo mais do que produzem, mas a oferta dos novos campos no Permiano e em Eagle Ford é formada principalmente por petróleo leve, com pouco enxofre. Muitas das refinarias no litoral do Golfo do México estão projetadas para processar petróleo bruto pesado, com alto teor de enxofre, portanto é mais econômico mandar o novo petróleo do Texas para o exterior. Por isso, hoje os EUA exportam mais do que quatro países-membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo: Catar, Líbia, Equador e Gabão.

Corpus Christi aposta que o boom exportador durará muito. O porto, onde três grandes oleodutos descarregam petróleo bruto do sul do Texas e de campos a centenas de quilômetros no remoto extremo ocidental do estado, recebeu aprovação preliminar do Congresso para um projeto de dragagem de US$ 350 milhões que aprofundaria seu canal de 13,7 metros para 16 metros. Assim, seria possível carregar mais superpetroleiros capazes de transportar um milhão de barris.

A capacidade diária de exportação poderia aumentar do número atual de 960.000 barris para 2,8 milhões, segundo funcionários do porto. Houston, o segundo maior centro exportador de petróleo bruto, pode transportar 1,7 milhões de barris por dia, disse Timm Schneider, diretor administrativo sênior da consultoria financeira Evercore em Nova York.

Projetos

Outros dois oleodutos, o EPIC e o South Texas Gateway, devem ser inaugurados em 2019 e levarão mais petróleo para o litoral. Várias empresas demonstraram interesse em aumentar a capacidade de armazenamento no porto, disse LaRue.

A expansão da dragagem - da qual 60 por cento seria financiada pelo governo americano - precisa obter a aprovação final dos legisladores.

"Foi um sinal positivo que ambos os comitês tenham dado a aprovação inicial ao projeto tão rapidamente" em reuniões no fim de abril em Washington, disse LaRue. "Se houver um projeto de lei de infraestrutura e estivermos incluídos nele de alguma forma, o projeto poderia ser financiado rapidamente. Ele poderia ficar pronto em três anos."

Título em inglês: Welcome to the Booming Texas Port at Heart of U.S. Oil Sales

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