Diga adeus à sua antiga mesa de trabalho

Rebecca Greenfield

  • Shutterstock

(Bloomberg) -- A mesa de trabalho do futuro conhece bem você, talvez até demais.

É uma mesa para trabalhar sentado ou em pé, claro, mas equipada com sensores que aprendem seus hábitos e preferências por meio da vigilância contínua. Quando você passa tempo demais sentado, uma vibração suave lhe recorda que é hora de se levantar.

Sua cadeira, também com sensores, avisa para a mesa que você se levantou; a mesa, que sabe qual é a sua altura, se ajusta a ela. Sua mesa monitora os toques no teclado e os cliques no mouse, para oferecer a você (e ao seu chefe) conselhos úteis de ergonomia --e produtividade.

Em pouco tempo ela saberá se você precisa realmente de uma mesa de trabalho (uma pergunta relevante, considerando que cada uma custa US$ 10 mil por ano) ou se você pode ser transferido para o grupo do escritório multifuncional, onde o espaço de trabalho é designado aos funcionários de acordo com as demandas da semana, do dia ou da hora.

Em outras palavras, diga adeus ao seu último pingo de dignidade no ambiente de trabalho moderno.

"Estamos coletando muitos dados objetivos sobre cada funcionário", disse o dr. Mark Benden, diretor de ergonomia da Texas A&M University. Suas mesas para trabalhar em pé são equipadas com 120 sensores que medem qualquer movimento que uma pessoa possa fazer no escritório, exceto alguma cara feia para o chefe.

"É meio orwelliano", disse Benden. "Você pensa: 'Uau, estão monitorando todas essas coisas sobre mim, será que isso significa que vou ser demitido?'". Essa é uma "reação normal dos seres humanos", acrescentou ele em tom tranquilizador.

Agora, a Herman Miller, segunda maior fabricante de móveis de escritório, depois da Steelcase, está agilizando esse futuro. A empresa de Zeeland, Michigan, nos EUA, lançou neste mês sua linha de móveis inteligentes Live OS, cujos sensores se conectam a suas mesas para trabalhar em pé e às famosas cadeiras de escritório Aeron. Os sensores e o software custam US$ 136. O aplicativo, US$ 60 por mesa por ano. Os móveis são vendidos separadamente.

Para um empregador, o apelo de longo prazo da mesa com inteligência artificial não é apenas ter funcionários mais saudáveis, mas ter acesso à maneira em que eles usam o espaço.

Uma coleta de dados desse tipo significa estar constantemente sob um microscópio. Legalmente, as empresas dos EUA podem monitorar seus funcionários em todos os lugares, exceto no banheiro.

À medida que sensores foram sendo instalados em paredes, crachás, luminárias, sistemas de climatização e agora também nas mesas de escritórios, os trabalhadores foram se acostumando ao exame minucioso. A maioria dos empregadores afirma que isso é feito em nome da eficiência.

"Não estamos monitorando pessoas", disse Ryan Anderson, diretor de comercialização e desenvolvimento empresarial da internet das coisas na Herman Miller. "Estamos medindo a eficácia do espaço e ajudando a otimizar o uso dos imóveis."

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