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Salários maiores podem transferir empregos para robôs na China

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O coração da indústria chinesa atualmente enfrenta salários crescentes e escassez de mão de obra, dois fatores que ameaçam seu papel de pólo fabril do mundo.

Em vez de sucumbirem a concorrentes mais baratos, contudo, os proprietários de fábricas no Delta do Rio das Pérolas estão aceitando o desafio.

É o que o Standard Chartered descobriu pesquisando mais de 200 fabricantes na região, que abrange a foz do rio no sul da China, perto da fronteira com Hong Kong. A automação é a saída para fábricas que enfrentam a pressão dos salários, segundo os 68 por cento dos entrevistados que planejam ampliar as despesas de capital neste ano.

Investimentos em automação e robótica podem dar à economia um "muito necessário aumento de produtividade", escreveram analistas no relatório da pesquisa publicada neste mês. "Nós acreditamos que o que não mata o Delta do Rio das Pérolas, e em vez disso incentiva os fabricantes da região a se atualizarem e se reinventarem, tornará a China mais forte."

A pesquisa foi realizada em cada um dos últimos oito anos, período no qual as fábricas se queixaram dos rápidos aumentos salariais e da dificuldade para contratação de suficientes trabalhadores. O delta está localizado na maior economia regional do país, Guangdong, que gera mais de US$ 1 trilhão por ano em produção e ostenta o novo polo de inovação de Shenzhen, o centro comercial Guangzhou e muitas cidades menores e prósperas no entorno.

Fabricantes de alto nível de setores como o de semicondutores preferem permanecer nessa região cada vez mais cara com mais automação e investimento, enquanto os de baixo custo, como os fabricantes de têxteis e vestuário, estão mais dispostos a se mudarem a países mais baratos, segundo o relatório.

"Por um lado, você vê que os competitivos estão investindo mais para se manterem competitivos, mas ao mesmo tempo há também a tendência emergente de se mudar para o exterior porque para alguns permanecer no Delta do Rio das Pérolas pode não ser o ideal", disse Kelvin Lau, economista-sênior em Hong Kong que liderou a pesquisa.

A região se sairia melhor se tivesse "uma mistura melhor ou um foco na fabricação de ponta em vez de tentar salvar a todos e tentar incubar todos os tipos de setores", disse Lau. "Agora eles se afastaram da antiga forma de fabricar."

Os proprietários de fábricas estão mais otimistas em relação aos negócios neste ano com a melhora na demanda dos mercados internacionais, aponta a pesquisa. Ainda assim, a possível guerra comercial entre EUA e China confunde as perspectivas.

Os proprietários esperam mais aumentos salariais para os trabalhadores do que no ano passado, segundo o relatório. O governo já não é tão inflexível quanto antes na exigência de aumento do salário mínimo, mas a negociação salarial coletiva dos trabalhadores ainda representa uma pressão teimosa, mostra a pesquisa.

Para os funcionários, a tendência é clara. Os aumentos salariais de dois dígitos do passado acabaram por agora.

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