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Setor de carvão dos EUA busca mineradores pouco convencionais

Tim Loh

(Bloomberg) -- Durante a campanha eleitoral em Virgínia Ocidental no ano passado, Donald Trump colocou um capacete na cabeça e fingiu escavar carvão com uma pá. Os operários de minas de carvão que estavam no público voltariam a trabalhar em breve e Trump prometeu: "Preparam-se, porque vocês vão se acabar de trabalhar".

Só tem um problema: os mineradores de carvão já não usam pás e picaretas. Embora as empresas do setor estejam voltando a contratar, os executivos buscam trabalhadores capazes de analisar gigabytes de dados ou usar um joystick para manobrar veículos de mineração a centenas de quilômetros de distância.

"Se você joga PlayStation, você pode dirigir um caminhão de 300 toneladas", disse Douglas Blackburn, mineiro de quarta geração que administra a Blackacre, uma consultoria do setor. Em uma indústria que era famosa por seus riscos, "o pior que pode acontecer é torcer o polegar".

A tendência a empregar menos trabalhadores não é novidade. O auge dos empregos nas minas de carvão ocorreu em 1923, quando o setor americano - que naquela época dependia de operários munidos de ferramentas, explosivos e lampiões a óleo - empregou o recorde de 863.000 pessoas, segundo a Mine Safety and Health Administration. Desde então, o número vem caindo graças a máquinas cada vez mais sofisticadas. A mudança tecnológica deu um salto na década de 1980, com a expansão da mineração de grande escala na bacia do rio Powder em Wyoming, onde é possível extrair de cima o carvão do solo. Os mineiros já não tiveram que fazer túneis subterrâneos.

Novo cenário

Nas gigantescas minas a céu aberto da bacia do rio Powder, grandes caminhões atravessam os locais dia e noite e coletam até 400 toneladas de carvão por mês dos filões. Muitos deles são dirigidos por pessoas que completaram apenas o ensino médio e têm pouca experiência, com salários de até US$ 30 por hora. O carvão é carregado mecanicamente em trens com até 100 vagões e enviado a usinas em lugares tão distantes como a Geórgia.

A promessa de Trump foi cumprida para alguns trabalhadores. Empresas de carvão criaram 2.400 empregos desde setembro, levando o total a 51.000, segundo o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA. As empresas de carvão estão colocando anúncios em busca de mecânicos e eletricistas licenciados, funcionários para depósitos de água e seguranças.

Contudo, o futuro do carvão provavelmente envolverá um novo conjunto de habilidades. Em breve, uma pessoa trabalhará diante de telas de computadores em um escritório em Denver, por exemplo, dirigindo equipamentos em Wyoming, segundo Blackburn. Essa pessoa - que ganhará, talvez, US$ 15 por hora - vai monitorar vários caminhões enormes que praticamente vão se dirigir sozinhos, disse ele.

Nesse contexto, Trump está aproveitando a sensação de nostalgia em relação à era perdida do carvão e o nervosismo com o futuro, disse Patrick Hickley, professor de Ciência Política da West Virginia University. Na região dos Apalaches, as pessoas sabem bem que os operários deixaram de extrair carvão com pás há gerações, mas a pantomima de Trump não deixou de causa repercussão em um estado cuja bandeira tem a imagem de um minerador do século 19 empunhando uma picareta.

"Como vemos essa perturbação em toda a economia no setor público e no privado, acho que se remontar àqueles pilares de uma economia que oferecia mais certezas é algo muito poderoso", disse ele.

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