Política complicada gera enormes negócios para turismo da Rússia

Nikki Ekstein

(Bloomberg) -- Greg Tepper normalmente envia 1.500 turistas à Rússia todos os anos. Desde que fundou a empresa Exeter International, em 1992, ele é um dos principais líderes das viagens de luxo dos Estados Unidos para a Rússia. E este está sendo seu melhor ano em muito tempo -- talvez na história.

"Não via uma demanda assim pela Rússia desde 1989, que pode ter sido a melhor época da história para os americanos na Rússia", afirmou. "Era a perestroika. Era Gorbachev. As pessoas queriam ver o lugar sobre o qual ouviam." Agora, no rescaldo da crise da indústria de petróleo, do colapso do rublo, das sanções americanas e dos escândalos políticos impulsionados pelo presidente americano Donald Trump, a Rússia está de volta às manchetes -- e, pelo menos no que diz respeito ao turismo, volta a ser sinônimo de dinheiro.

Segundo dados da filial de Moscou da JLL Hotels & Hospitality Group, uma empresa de consultoria para investidores no setor de hospitalidade, as taxas de ocupação hoteleira do primeiro trimestre de 2017 são as mais elevadas registradas em cinco anos. Tatiana Veller, chefe da JLL para a Rússia, diz que os maiores ganhos foram registrados no setor intermediário, que somou 11 por cento ao seu resultado final até esta altura do ano graças ao volume elevado de viajantes domésticos, de turismo e de grupo.

A empresa da Tepper na Flórida tem registrado ganhos ainda mais impressionantes. Ele afirma que o negócio de chegada à Rússia cresceu 30 por cento de 2015 para 2016 e que em 2017 as reservas já estão a caminho de superar esse recorde em 12 por cento adicionais.

Quem também está registrando crescimento de dois dígitos na comparação ano a ano são as especialistas em luxo Ovation Vacations, a empresa de turismo de grupo de luxo Tauck, a firma de turismo personalizado Abercrombie & Kente e a gigante do mercado de massa Globus, que, segundo a publicação do setor Travel Pulse está vendo um crescimento de 38 por cento das viagens com destino à Rússia até esta altura de 2017.

Até mesmo os aeroportos e as companhias aéreas estão a caminho de estabelecer recordes de crescimento. Nos cinco primeiros meses de 2017, as aéreas russas transportaram 35,81 milhões de passageiros -- um aumento de 22 por cento em relação ao ano passado --, segundo números da Agência Federal de Transporte Aéreo, com uma alta recorde de 8,672 milhões de chegadas apenas em maio.

O pico de viagem da Rússia é o resultado de alguns fatores. Por vários anos seguidos, até o fim da década de 2000, Moscou estava entre os três destinos mais caros do mundo, explicou Veller. "Você chegava a pagar US$ 300 ou US$ 400 por um Courtyard Marriott." Um hotel de luxo podia custar US$ 1.000 a noite -- essa é a taxa média de pernoite que o gerente-geral do Park Hyatt Moscow se vangloriava de ter atingido. "Em 2014, os preços caíram fortemente", continuou Veller. "Agora, por US$ 350 ou US$ 400 você consegue se hospedar no Ritz-Carlton ou, às vezes, até no Four Seasons." Esse valor agregado é o que inicialmente catapultou o negócio da Tepper na Rússia em 30 por cento a 40 por cento.

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