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Calma na Europa estimula mercado de financiamento de fusões

Jacqueline Poh

(Bloomberg) -- Como o risco político está se dissipando na Europa, as maiores empresas do continente estão entrando em um clima aquisitivo e contraem mais empréstimos para financiar transações, ao passo que o mercado de financiamento de fusões nos EUA está enfraquecendo.

O número de empréstimos a empresas com notas de crédito altas para fazer aquisições na Europa neste ano é mais de duas vezes maior que o do mesmo período em 2016, embora o número de transações tenha caído mais de um quinto por causa do domínio das empresas maiores, segundo dados compilados pela Bloomberg. Em contraste, os empréstimos para fusões nos EUA caíram 19 por cento.

A divergência na captação de capital reflete perspectivas políticas diferentes, segundo Simon Derrick, diretor em Londres de empréstimos para empresas com grau de investimento na Europa, no Oriente Médio e na África do Deutsche Bank, o maior organizador de emissões da região durante o primeiro semestre. O medo de que eleições nacionais na França, na Alemanha e na Itália levassem governos populistas ao poder diminuiu, e isso está estimulando mais transações.

"A estabilidade tende a criar fusões e aquisições", disse ele. "A maior estabilidade política deve fomentar a atividade corporativa."

Empresas europeias captaram 93,8 bilhões de euros em empréstimos ligados a aquisições nos primeiros seis meses deste ano, segundo dados da Bloomberg. Com cerca de 20 bilhões de euros a mais em projetos em preparação, o volume deve chegar ao total do ano cheio de 2016, 127 bilhões de euros.

"Um fluxo constante de financiamento oportunista, que nós observamos agora e achamos que deve continuar nos próximos trimestres, manterá os bancos ocupados", disse Reinhard Haas, diretor de empréstimos para os mercados de capital de dívida do Commerzbank em Frankfurt.

Uma das transações iminentes nas próximas semanas é um empréstimo para financiar o lance da família Arnault para comprar 26 por cento da Christian Dior por cerca de 12,1 bilhões de euros. Um destaque entre as transações do primeiro semestre foi o empréstimo de US$ 25 bilhões à British American Tobacco para financiar a aquisição da Reynolds American.

Por sua vez, os banqueiros de empréstimos nos EUA esperam que a linha de empréstimos-ponte de US$ 13,7 bilhões que financiará a aquisição da Whole Foods Market pela Amazon.com consiga revigorar o abatido mercado de empréstimos.

"Uma grande emissão corporativa poderia repercutir e levar outras empresas a fazer o mesmo", diz Robert Danziger, diretor de empréstimos para empresas com grau de investimento do Deutsche Bank nos EUA.

O apetite por grandes aquisições poderia ser contido pela atual disputa política em relação a regulamentações financeiras e políticas fiscais, segundo Peter Hall, diretor de empréstimos para empresas com grau de investimento do Bank of America Merrill Lynch.

"Talvez as empresas estejam esperando para ver o rumo que as reformas podem tomar", disse ele.

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Jacqueline Poh em Londres, jpoh39@bloomberg.net.

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