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Crash de 45ms do ether 'dispara' medidas de segurança

Nick Baker

(Bloomberg) -- O flash crash ocorrido há cerca de duas semanas com a moeda digital ethereum levou a bolsa afetada a estudar medidas de proteção usadas em outros mercados, como nos de ações.

Circuit breakers que suspendem as negociações para prevenir que falhas saiam fora de controle e um sistema de incentivos para atrair formadores de mercado que evitem uma queda muito acentuada dos preços estão entre as opções sendo consideradas, segundo Adam White, gerente geral da bolsa GDAX, divisão da Coinbase.

A Coinbase consultou a Bolsa de Valores de Nova York e outros especialistas sobre como prevenir flash crashes, disse White, que não revelou detalhes. O grupo NYSE tem uma participação na Coinbase.

Com o crash, ocorrido em 21 de junho às 15h30 no horário de Nova York, a moeda despencou de US$ 317,81 para US$ 0,10. A causa, explicou White, foi uma única transação de US$ 12,5 milhões -- uma das maiores já registradas -- realizada por um cliente com uma ordem de mercado, ou seja, um pedido de venda imediato. A operação derrubou o ethereum para US$ 224,48, mas a queda não parou aí. A baixa levou a ordens de venda de operadores que haviam se programado para acionar o mecanismo de stop loss se os preços caíssem para determinados níveis, o que levou a GDAX a liquidar algumas operações de margens.

Tudo aconteceu em apenas 45 milissegundos, disse White em uma entrevista. Foi quando os algoritmos de computador começaram a comprar, levando a cotação de volta aos US$ 300 em 10 segundos, acrescentou.

"Não foi uma venda demorada, sustentada e de pânico", disse White. "Foi um evento muito rápido e em cascata seguido por compras de operadores programáticos cientes e inteligentes."

O ether caiu 4,8 por cento, para US$ 288,50 na tarde de sexta-feira, segundo dados compilados pela Coindesk.com.

Lições do mercado acionário
Prevenir o próximo flash crash da moeda digital pode depender de lições aprendidas com o mercado acionário, onde uma espantosa desvalorização em 2010 levou a uma série de mudanças para proteger os investidores e prevenir perdas rápidas em ambientes de negociação cada vez mais automatizados. Foi implantado um sistema de circuit breakers que suspende as negociações com uma ação em caso de fortes perdas, que foi posteriormente reforçado por um sistema menos oneroso que impede os formadores de mercado de precificar fora de certas faixas de cotação.

O mercado de renda variável ainda experimenta perdas repentinas, tais como a misteriosa queda de várias ações de tecnologia de peso em 9 de junho, mas nada como a baixa generalizada de 2010.

White disse que estuda trazer mais formadores de mercado para sua bolsa, porque o evento ocorrido em 21 de junho sugere que não havia ordens de compra suficientes para amortecer o golpe. Formadores de mercado não pagam taxas para negociar na GDAX, afirmou White, e sua empresa pensa em oferecer-lhes um crédito.

"Embora ofereçamos o 'book' mais profundo, não foi suficientemente profundo com base naquela ordem de venda de US$ 12,5 milhões", disse.

A GDAX também pensa em introduzir um tamanho máximo de ordem, disse White. (Outras possibilidades foram discutidas em um post no blog da empresa na última sexta-feira). Agora, os clientes que disparam ordens que a GDAX acredita que derrubarão muito os preços são alertados com uma caixa de diálogo. O cliente que disparou a ordem de US$ 12,5 milhões ignorou essa mensagem para completar sua transação, afirmou White.

--Com a colaboração de Alexandria Arnold

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Nick Baker em Chicago, nbaker7@bloomberg.net.

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