Goldman Sachs reavalia estratégia de divisão de commodities

Jack Farchy e Dakin Campbell

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs, líder em negociação de commodities em Wall Street, está revendo sua estratégia para o segmento depois da retração desse mercado no primeiro semestre, segundo pessoas a par do assunto.

Ao reconsiderar a antiga visão do banco, de que a queda da rentabilidade é cíclica e será revertida em determinado momento, o diretor-presidente do Goldman, Lloyd Blankfein, que começou sua carreira no mercado de commodities, está se aproximando da sabedoria predominante do setor. Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Barclays e Deutsche Bank reduziram a exposição ou saíram das operações de commodities nos últimos anos em meio à queda das receitas e à regulação mais rigorosa.

Embora o Goldman tenha amenizado os fracos resultados do primeiro trimestre -- sem fornecer números específicos --, o desempenho continuou abaixo do esperado e o começo de ano da unidade foi o pior em mais de uma década, disse uma das pessoas ouvidas, que pediu anonimato ao comentar deliberações internas do banco.

A divisão de commodities foi um dos tópicos de discussão de uma reunião do conselho realizada em Londres no fim do mês passado, segundo as fontes.

Nenhuma decisão foi tomada ainda e o banco pode acabar não fazendo grandes mudanças, disseram essas pessoas. É comum o Goldman reavaliar unidades com problemas para ver o que pode ser melhorado, acrescentaram as fontes.

"Commodities foi e ainda é um negócio importante para nossos clientes e continuaremos a investir nele para assegurar que estamos atendendo às suas necessidades da melhor forma", disse Michael DuVally, porta-voz do banco, em um comunicado enviado por e-mail.

A revisão informal está sendo liderada por Isabelle Ealet, uma das três chefes globais da divisão de valores mobiliários que comandou a unidade de commodities por cinco anos, até 2012 -- uma era de ouro para a divisão, quando a receita regularmente superava US$ 3 bilhões por ano.

Ealet, que começou a trabalhar no Goldman em 1991 como operadora de derivados de petróleo, é conhecida no setor por seu implacável foco no controle de custos. Em uma rara entrevista há alguns anos para a revista francesa L'Expansion, disse: "O que mais aprecio é a cultura de resultados. No Goldman, você é julgado por seu desempenho".

Pico de receitas
Por décadas, o Goldman se vangloriou de sua liderança no segmento de commodities entre os bancos de Wall Street. A receita com commodities do banco passou de menos de US$ 500 milhões por ano entre 1981 e 2000 para o pico de US$ 3,4 bilhões em 2009, segundo um relatório do Senado sobre o envolvimento dos bancos americanos nos mercados de commodities.

No ano passado, a receita do Goldman com commodities totalizou menos de US$ 1,1 bilhão, de acordo com uma das fontes. A divisão ainda ocupava a primeira posição no ranking de bancos de investimento globais, segundo a Coalition Development, uma empresa de análise com sede em Londres.
Mas, neste ano, o Goldman disse que a receita líquida "significativamente mais baixa" em commodities foi em parte causada por fracos resultados com transações no primeiro trimestre. Os volumes de clientes foram afetados, com a volatilidade média do petróleo tendo atingido o menor nível em mais de dois anos, disse Marty Chavez, diretor financeiro do Goldman, em abril.

--Com a colaboração de Javier Blas

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórteres da matéria original: Jack Farchy em Londres, jfarchy@bloomberg.net, Dakin Campbell em Nova York, dcampbell27@bloomberg.net.

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