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Investidores de Wall Street estão descontentes com conselhos

Jeff Green

(Bloomberg) -- Os grandes investidores estão perdendo a paciência com a falta de resposta dos diretores corporativos e demonstram esse sentimento com seus votos.

Os acionistas negaram 20 por cento ou mais de seus votos a 102 diretores das empresas do S&P 500 até este momento do ano, maior proporção em sete anos, segundo a ISS Corporate Solutions, uma empresa de consultoria especializada em governança corporativa. Embora sejam em grande parte simbólicos, os votos em instituições como Wells Fargo e Exxon Mobil são reconhecidos como sinais de descontentamento e exercem pressão para o envolvimento dos conselhos.

"Os investidores institucionais estão se envolvendo mais ativamente, expressando seu descontentamento por meio dos votos", disse Peter Kimball, chefe de assessoria e serviços ao clientes da consultoria, uma unidade da Institutional Shareholder Services. "Votar contra diretores em empresas de grande capitalização da S&P 500 é uma forma de uma instituição dar um sinal para outras empresas menores sobre as medidas de que não gostam. Esse retorno tem consequências."

Enquanto o governo de Donald Trump nos EUA age para reduzir a pressão regulatória sobre as empresas, grandes investidores institucionais vão na direção oposta. O State Street Global Advisers e a BlackRock, por exemplo, estão adotando uma abordagem cada vez mais ativista, pedindo mudanças na diversidade e na responsabilidade corporativa.

"Parte disso é realmente a mudança dos investidores para focalizar mais a qualidade do conselho", disse Rakhi Kumar, chefe do setor de estratégia de investimento ambiental, social e de governança no State Street. "A capacidade de resposta do conselho é uma das principais razões pelas quais os acionistas culpam os diretores. Se o engajamento não funciona e os conselhos não respondem a nossos comentários, tomamos medidas."

O State Street votou contra 731 diretores em 2016 e espera um número similar neste ano depois de rejeitar 538 em 2015, disse Kumar. Os investidores já não estão cumprindo tabela nas votações de apoio aos diretores, disse ela. O State Street está incentivando as empresas a renovar seus conselhos para terem integrantes novos e mais diversificados.

O banco reformulou sua estratégia de investimento em 2013 para se tornar mais ativista. Neste ano, o State Street recebeu uma onda de publicidade positiva ao revelar a estátua "Menina sem medo" em Wall Street. Juntamente com o projeto de arte, o banco também emitiu um novo chamado a 3.500 empresas para que adicionem mais mulheres a seus conselhos, direcionado particularmente àqueles que não contam com integrantes do sexo feminino.

Desde 2011, as empresas são obrigadas a realizar uma votação não vinculativa pelo menos uma vez a cada três anos, geralmente descrita como uma revisão "sobre remunerações", na qual os investidores podem demonstrar se apoiam ou não as práticas salariais de uma empresa. Até aquele ano, os investidores muitas vezes votavam contra os diretores no comitê de remuneração quando queriam demonstrar seu descontentamento.

Uma votação de menos de 80 por cento é significativa porque a mediana do nível de apoio de todos os diretores ainda é de cerca de 99 por cento, segundo dados da ISS. O aumento do número de diretores com pouco apoio neste ano é significativo porque os votos no "não" caíram após a mudança da regra, em 2011, disse Kimball.

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Jeff Green em Michigan, jgreen16@bloomberg.net.

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