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Reino Unido baixa o tom sobre Brexit e escuta empresários

Flavia Krause-Jackson

(Bloomberg) -- O governo de Theresa May mudou sua postura em relação ao Brexit e adotou um tom mais sóbrio e realista semanas após suas desastrosas eleições. Acabaram as bravatas que haviam levado os aliados da União Europeia a repreender o Reino Unido por querer ficar com a faca e o queijo na mão.

Nesta segunda-feira, o ministro das Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, aproveitará um discurso organizado pela Confederação da Indústria Britânica para dizer aos líderes empresariais que suas preocupações com a separação não serão ignoradas. É um gesto conciliador para um público negligenciado e, às vezes, até mesmo excluído.

A mudança de tom ficou evidente desde que May perdeu sua maioria e teve que arranjar um acordo operacional com um partido da Irlanda do Norte. Incapaz de impor sua visão do Brexit e sob pressão crescente para abandonar a austeridade, a primeira-ministra foi forçada a fazer concessões políticas em casa, e é cada vez mais provável que deva fazê-lo também com seus parceiros no divórcio da UE.

Hammond despontou como o principal defensor de um Brexit favorável para as empresas. Sua reputação de ser um dos ministros do gabinete a favor de um Brexit mais suave colocou seu pescoço em risco quando parecia que May ganharia de lavada com um exército de defensores do Brexit duro.

Mas o desempenho eleitoral fraco de May aumentou sua estatura, e ele não tem tido medo de discutir com o secretário do Brexit, David Davis, o principal negociador, nem de atacar o ministro de Relações Exteriores, Boris Johnson, um dos rostos da bem-sucedida campanha pela saída. Na semana passada em Berlim, Hammond brincou dizendo que agora tentou "desencorajar a conversa de 'faca e queijo' entre os colegas".

'Resultado ruim'

Desde a eleição, o Ministro das Finanças também argumentou que sair das negociações do Brexit sem um acordo ? como alguns, inclusive May, ameaçaram fazer ? seria um "resultado ruim" e que a imigração deveria ser gerenciada em vez de "encerrada". Ele também advertiu que qualquer fragmentação dos serviços financeiros após o Brexit poderia gerar custos mais altos para empresas tanto no Reino Unido quanto na Europa.

Há sinais de que outros estejam empenhados em convencer May a repensar sua abordagem em relação à separação. Uma reportagem do jornal The Guardian, citando autoridades do governo, afirmou que ministros estavam sendo instruídos a aceitar concessões políticas ou a se contentar com um acordo de livre comércio limitado, semelhante ao que a UE e o Canadá assinaram ? argumentando que não é possível ficar com o melhor dos dois mundos.

Neste novo clima, uma delegação do distrito financeiro de Londres vai para Bruxelas nesta semana com o apoio não oficial de personagens importantes do governo, informou o jornal Financial Times, citando três funcionários não identificados familiarizados com o projeto. O objetivo é apresentar um plano secreto para um acordo de livre comércio para os serviços financeiros quando o Brexit for concluído, em março de 2019.

As empresas precisam de um meio para fornecer uma "conexão constante e duradoura que persista por muito tempo depois do Brexit", disse Steve Varley, presidente e diretor administrativo da empresa de serviços profissionais EY no Reino Unido e na Irlanda. "Precisamos fazer algo de mais força industrial."

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