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China e Alemanha preenchem lacuna de liderança deixada por EUA

Marc Champion, Peter Martin e Brian Parkin

(Bloomberg) -- Os EUA tradicionalmente assumem a dianteira na busca de abordagens comuns aos grandes problemas mundiais do momento nas cúpulas do G-20. Mas não desta vez.

Quando os líderes mundiais se reunirem em Hamburgo na sexta-feira, a China e a Alemanha vão tentar usurpar esse papel dos EUA.

Essas duas potências industriais da Ásia e da Europa estão sendo incentivadas a formar uma aliança informal para assumir a batuta da liderança que os EUA teriam perdido desde que o presidente Donald Trump tomou posse no começo deste ano, de acordo com diplomatas e autoridades de diversos integrantes do G-20.

A situação se cristalizou antes da reunião anual do G-20 deste ano, que será realizada no mais movimentado porto comercial da Alemanha. Em parte, isso se deve a que, pela primeira vez desde a fundação do grupo, os EUA serão representados por um presidente adepto do protecionismo, que abandona décadas de defesa fervorosa do livre comércio por parte dos EUA.

"O caráter estratégico das relações entre China e Alemanha está continuamente ganhando importância", disse o presidente chinês, Xi Jinping, em um artigo publicado na terça-feira no jornal alemão Die Welt. Os dois países "deveriam intensificar a cooperação para implementar 'Um cinturão, uma estrada' da China e contribuir conjuntamente para a segurança, a estabilidade e a prosperidade dos países vizinhos".

Os EUA também se isolaram em relação ao aquecimento global na cúpula realizada em maio pelo G-7 na Itália, onde o comunicado final se dividiu em seis a um neste quesito. Desta vez, Trump corre o risco de ficar sozinho contra uma frente unida de aliados europeus, vizinhos como Canadá e México, e antigos inimigos dos EUA na Guerra Fria nos dois tópicos mais importantes da cúpula.

Na condição de anfitriões atual e anterior, a chanceler alemã Angela Merkel e Xi Jinping teriam trabalhado juntos na programação do G-20 de qualquer modo. No entanto, três visitas do primeiro-ministro chinês Li Keqiang à Alemanha até o momento, a mais recente no mês passado, sugerem que esses dois países estão alinhados para ocupar um espaço maior que, pelo menos temporariamente, os EUA deixaram vazio na presidência de Trump.

"A nova aproximação entre China e Alemanha aconteceu por causa da situação Trump", disse Diego Ramiro Guelar, embaixador em Pequim da Argentina, que também integra o G-20. "Os dois líderes mais importantes do mundo no momento são o presidente Xi e a chanceler Merkel."

Interesses comuns

Os vínculos entre a China e a Alemanha vêm se fortalecendo há anos, graças a interesses econômicos comuns que não enfrentam obstáculos como as rivalidades geopolíticas que complicaram as relações entre Pequim e Washington muito antes da eleição de Trump. A Alemanha precisa de mercados para seus veículos e maquinários industriais de ponta, e a China deseja-os ? tanto que comprou a companhia alemã de robótica Kuka.

Os EUA "deixaram uma espécie de lacuna" na região quando abandonaram a proposta do acordo de livre comércio Parceria Transpacífico, disse Michael Clauss, embaixador da Alemanha em Pequim, em entrevista recente com jornalistas. O objetivo do acordo era construir um bloco de livre comércio centrado nos EUA entre os países do Círculo do Pacífico, do Chile ao Vietnã, como alternativa às iniciativas mais dominadas pela China, como "Um cinturão, uma estrada". Trump retirou os EUA dos planos da Parceria Transpacífico um dia depois de tomar posse.

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórteres da matéria original: Marc Champion em Londres, mchampion7@bloomberg.net, Peter Martin em Pequim, pmartin138@bloomberg.net, Brian Parkin em Berlin, bparkin@bloomberg.net.

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