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Planos de investimentos de CEOs europeus não agradam ativistas

Sofia Horta e Costa

(Bloomberg) -- Enquanto os investidores ativistas pressionam as empresas mais apáticas da Europa com exigências de recompensas a curto prazo para os acionistas, os líderes executivos da região estão olhando mais para o futuro.

Neste ano, as empresas integrantes do Stoxx Europe 600 Index deverão investir em média cerca de 19,5 milhões de euros (US$ 22 milhões) por ação do índice na renovação de equipamentos antigos e na construção de fábricas, soma que não é vista desde a crise financeira global. Este é também o maior aumento de gastos observado de um ano para o outro em mais de uma década.

Após anos evitando investir em suas próprias empresas, os líderes executivos mostram confiança na melhora da economia da região e em um cenário político mais estável. Para os acionistas, esses investimentos não têm o apelo das grandes recompras de ações, dos dividendos especiais ou das aquisições, mas a recuperação das despesas de capital pode constituir uma fonte de crescimento bem-vinda em um mercado no qual as vendas orgânicas continuam lentas.

"Realmente não havia motivos para despesas de capital até recentemente", disse Thomas Thygesen, chefe de estratégia de ativos cruzados do SEB em Copenhague. "A Europa atualmente cresce impulsionada pela demanda doméstica. O CEO pode sentir confiança para investir em equipamentos novos ou para construir uma nova fábrica."

Dados recentes sugerem que a Europa está melhorando ao focar na autossuficiência, sendo menos dependente de uma moeda fraca e do crescimento das exportações. O desemprego atingiu o menor patamar em oito anos, o aumento das encomendas nas fábricas gerou o maior crescimento industrial desde 2011 e o índice de confiança do consumidor é o mais alto em 16 anos. A redução do risco político se soma a essa combinação de fatores positivos, já que as eleições na Holanda e na França tiveram resultados favoráveis ao mercado.

O impulso para renovar a força industrial é mais evidente na Alemanha do que em qualquer outro lugar da Europa. Lá, fabricantes de automóveis e de máquinas estão investindo bilhões de euros para modernizar seus equipamentos e competir com as rivais no exterior. Entre elas está a Siemens, cujo CEO por enquanto tem conseguido ignorar os investidores ativistas e concentrar os investimentos na construção do futuro. Na França, a operadora de telecomunicações Orange reservou 7,2 bilhões de euros para investir em suas redes neste ano.

Os investidores ativistas tendem a pressionar por retornos mais altos, muitas vezes buscando valor para o acionista por meio de desinvestimentos, recompras de ações e dividendos. Gastos com despesas de capital e com pesquisa e desenvolvimento garantem dinheiro extra a longo prazo.

O que está em jogo para as empresas europeias é a rentabilidade fraca, que sofre o golpe duplo das crises financeira e da dívida soberana que ocorreram na última década na região. A 5,5 por cento, a margem média de lucro do Stoxx 600 ainda representa apenas metade do nível de 2007 e é muito menor que a margem de 9 por cento das empresas do S&P 500 Index. O indicador europeu foi inferior a seu par americano todos os anos desde 2009.

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