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Riqueza do gás do Irã faz Total assumir dose de risco político

Francois de Beaupuy, Golnar Motevalli e Hashem Kalantari

(Bloomberg) -- A Total fez uma aposta de US$ 1 bilhão no mercado de gás natural do Irã, assumindo uma grande dose de risco político com a esperança de sair em vantagem no país que possui as maiores reservas do mundo.

O acordo para desenvolvimento da fase 11 do gigantesco campo de South Pars é o primeiro investimento no Irã de uma empresa internacional de energia desde a redução das sanções, no ano passado. A Total espera que o investimento abra o caminho para um envolvimento maior em projetos de petróleo, gás e petroquímicos no país, segundo o CEO Patrick Pouyanne.

O investimento também gera uma boa imagem para a produtora de energia francesa em um país que está no epicentro de diversos pontos de atrito geopolíticos, onde muitos de seus pares ainda têm cautela para entrar.

"Trata-se de um longo compromisso com o Irã", disse Pouyanne, na segunda-feira, em Teerã, quando assinou o acordo de 20 anos. "E eu voltarei ao Irã porque este contrato é o primeiro de muitos."

O país do Oriente Médio -- que é também o terceiro maior produtor de petróleo da Opep -- é um destino tentador para o capital estrangeiro, porque busca ampliar a produção após anos de restrições internacionais. Pouyanne destacou o benefício de chegar primeiro, mas o acordo também deixa a Total potencialmente vulnerável à crescente crise diplomática regional e à hostilidade do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao acordo nuclear que permitiu a reabertura do país.

Experiência com sanções

A Total, que tem pouca exposição à expansão do xisto americano que está revolucionando os mercados internacionais de gás, procura campos competitivos pelo mundo. A empresa conta com algumas vantagens no Irã.

A petroleira conhece bem o país, já que trabalhou no campo de South Pars até que o endurecimento das restrições ao comércio e aos investimentos a obrigou a se retirar do país, em 2009. A produtora francesa também tem experiência com sanções em outros lugares, inclusive na Rússia, onde tem participação de 20 por cento em um gigantesco projeto para produção de gás natural liquefeito no Ártico.

"Há muitas empresas que querem voltar ao Irã, incluindo a Shell e a Eni", disse Ahmed Ben Salem, analista da Oddo Securities, por telefone. "Ser o primeiro a chegar na área, tendo mantido seu escritório aberto, é algo muito bem visto pelas autoridades locais. A Total está bem posicionada para tirar proveito de possíveis novos projetos."

A Total foi mais longe e se mexeu mais rapidamente que seus pares e nenhum deles fechou um acordo de investimento com a dimensão de South Pars.

Em dezembro, a Royal Dutch Shell assinou um acordo preliminar para avaliar três dos maiores recursos de petróleo e gás do Irã. No mês passado, a Eni fechou acordo para estudar o desenvolvimento dos campos de Kish e Darkhoein. A BP reluta em entrar em um país onde os EUA ainda mantêm algumas restrições e as empresas americanas ainda não podem investir lá, disse Ben Salem.

"Para a Total, US$ 1 bilhão não é uma soma tão grande", por isso os riscos financeiros continuam sendo relativamente baixos, disse Homayoun Falakshahi, analista sênior de pesquisa da Wood Mackenzie, por telefone. "Os riscos políticos serão difíceis de prever enquanto Trump continuar na Casa Branca."

Versão em português: Fernando Travaglini em São Paulo, ftravaglini@bloomberg.net.

Repórteres da matéria original: Francois de Beaupuy em Paris, fdebeaupuy@bloomberg.net, Golnar Motevalli em Tehran, gmotevalli@bloomberg.net, Hashem Kalantari em Dubai, hkalantari@bloomberg.net.

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