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Carros autônomos geram disputa por tempo livre de ex-motoristas

Keith Naughton e Alex Webb

(Bloomberg) -- Quando os analistas do Morgan Stanley tentavam prever o futuro da corrida pelos carros sem motoristas, seus pensamentos sempre terminavam em asas de frango. E na animação "Frozen", da Disney. E em cerveja.

Pode parecer estranho, mas na verdade faz sentido. Os analistas chegaram à conclusão de que é missão impossível tentar adivinhar, a essa altura do campeonato, quais empresas de tecnologia ou fabricantes de automóveis estão a caminho de construir os melhores e mais rentáveis modelos autônomos. A melhor saída é se concentrar nas atividades -- e nas empresas que as vendem -- que preencherão nosso tempo quando estivermos a bordo de carros sem volantes para segurar. É aí que entram as escolhas de investimentos do banco nos ramos de lanches (Buffalo Wild Wings), filmes (Walt Disney) e cervejas (Constellation Brands).

"Se nunca mais tivesse que dirigir, quanto você beberia a mais?", disse Adam Jonas, analista automotivo do Morgan Stanley. "Tudo se resume às adjacências. Investindo nisso, é menor a probabilidade de comprar uma situação superestimada."

Quanto às marcas dos veículos que não dirigiremos, não são apenas os analistas do Morgan Stanley que acham que é cedo demais para fazer uma aposta definitiva. Jonas e sua equipe gostam da Tesla no momento por seu recurso Autopilot, que já acumula milhões de quilômetros em testes no mundo real. Ainda assim, disse Jonas, "é cedo demais para declarar um vencedor". Em vez disso, como afirmou o banco em um relatório recente, o mais inteligente no momento é avaliar os produtos e serviços que tirarão proveito de uma tecnologia "que libera centenas de bilhões de horas de consumo para monetização".

"Existem pelo menos 46 empresas diferentes desenvolvendo softwares para controlar veículos autônomos, incluindo as fabricantes de veículos", disse Mike Ramsey, analista da firma de pesquisa Gartner. "Não há como avaliar realmente as capacidades das empresas. As pessoas estão fazendo isso por meio do marketing, do número de empregos e da quantidade de veículos que as empresas mantêm nas ruas -- métricas que não são muito boas."

Os investidores adoram uma corrida de cavalos, o que explica todas as especulações em torno da estratégia que vencerá a disputa dos carros-robôs e a reação deles quando surge um novo avanço. Na semana passada, as antigas empresas de locação de veículos Avis Budget Group e Hertz Global Holdings viraram as queridinhas de Wall Street após fecharem acordos para gerenciar frotas de carros sem motoristas para a Waymo, da Alphabet, e a Apple.

O problema é que os líderes iniciais de qualquer tecnologia emergente muitas vezes desaparecem quando as rivais melhoram a inovação trazida pelas pioneiras. Basta perguntar à BlackBerry, antes a vendedora de smartphones de maior destaque, ou ao Netscape, o navegador web pioneiro que passou do domínio ao declínio em menos de uma década.
"A história da inovação tecnológica está cheia desses exemplos", disse Mark Wakefield, diretor-gerente e chefe de prática automotiva da consultoria AlixPartners. "Quando surge algo novo é muito difícil prever quem será o vencedor."

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