Encontro Trump-Putin definirá tom das relações EUA-Rússia

Margaret Talev, Henry Meyer e Ilya Arkhipov

(Bloomberg) -- O encontro de Donald Trump com o líder russo Vladimir Putin preocupa analistas e diplomatas americanos veteranos sobre o descompasso entre um presidente dos Estados Unidos novato em assuntos globais e um astuto ex-espião soviético com experiência no longo jogo da estratégia e da política.

O encontro altamente aguardado, que acontece nesta semana na cúpula do G-20, promete dar o tom das relações entre a Rússia e os EUA para os próximos quatro anos. Putin -- que é presidente ou primeiro-ministro da Rússia desde 1999 -- tem usado seus encontros cara a cara com presidentes anteriores para tentar levar alguma vantagem.

Uma série de questões globais está pendente, como a continuidade das sanções contra a Rússia, o controle das políticas expansionistas de Putin na Ucrânia, a suspensão dos programas de armas nucleares da Coreia do Norte, a gestão das tensões com a Síria e com o Irã e impedir que a Rússia interfira nas eleições dos EUA e da Europa.

Qualquer encontro entre os dois destacará a grande diferença de suas abordagens em relação à diplomacia pessoal. Putin tem se mostrado um tático habilidoso e focado, que se prepara cuidadosamente e não se distrai facilmente de seus objetivos. Trump é conhecido por evitar a preparação, preferindo usar sua intuição e confiando no que acredita ser uma habilidade de "ler" a pessoa sentada à sua frente. No caso de Putin, que tem experiência na arte de enganar, isso pode ser difícil de fazer -- especialmente se o líder russo tentar desarmar Trump com elogios.

Putin está "profissionalmente preparado para tentar manipular as pessoas", disse William Burns, ex-embaixador dos EUA para a Rússia no governo do presidente republicano George W. Bush e agora presidente da Carnegie Endowment for International Peace. "Ele virá bem equipado e é importante que façamos o mesmo."

A Casa Branca confirmou, na terça-feira, que o encontro está programado para sexta-feira à tarde e será uma "reunião bilateral normal", sem fornecer mais detalhes. Os dois líderes abordarão uma série de assuntos no encontro, que deve durar cerca de 30 minutos.

Tensões elevadas

Trump não descartou discutir sua preocupação com temas como cibersegurança e a interferência da Rússia nas eleições, o que aumentou as tensões na relação entre os dois países, segundo uma fonte do governo dos EUA com conhecimento dos preparativos.

Os EUA consideram hacking e interferência tanto como práticas defensivas em termos do que o país faz para se proteger, quanto ofensivas em termos de se e como o governo americano deve retaliar para prevenir uma interferência futura, disse a fonte. Trump não deve detalhar essas considerações no encontro bilateral, afirmou o membro do governo.

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