Os robôs estão demorando para dominar a economia

Craig Torres

(Bloomberg) -- A companhia de Vik Singh tem um software potente de inteligência artificial que ajuda as empresas a encontrar as melhores oportunidades de vendas. No entanto, conseguir que alguém utilize o software ? bom, isso é uma história que revela muito sobre a expansão dos EUA.

As empresas dos EUA têm todos os incentivos para adotar tecnologias que economizam mão de obra, substituindo operários por robôs e cargos administrativos por software inteligente. Em algumas áreas, como as finanças, as decisões delegadas às máquinas avançam rapidamente. Em outras, embora a automação de fato esteja penetrando na economia, ela acontece em um ritmo mais lento que o esperado pelos futuristas.

Singh conta aos clientes como o sistema pode ajudá-lo a reduzir a quantidade de funcionários que analisam possibilidades de vendas e aumentar a receita. Os gerentes ficam intrigados, mas às vezes relutam em confiar a uma caixa preta um negócio como as vendas, de tanto contato com os clientes.

"Eles simplesmente não compreendem", diz o cofundador e CEO da Infer, em Mountain View, Califórnia. "E também não acreditam."

Centenas de empresas estão tentando revolucionar o modo em que consumimos, trabalhamos e nos transportamos. O potencial de crescimento da economia poderia ser maior se máquinas inteligentes conseguissem turbinar o modo em que os seres humanos lidam com suas tarefas. Uma maior produtividade, ou produção por hora, aumentaria os lucros corporativos e poderia ajudar os trabalhadores dos EUA a receber um aumento salarial.

Mas esse nirvana econômico não está prestes a acontecer.

Mais contratações

A produtividade nos EUA só cresceu 1,1 por cento no ano passado, e, em vez de serem substituídos pela tecnologia, mais trabalhadores estão sendo contratados. Os empregadores agregaram em média 159.000 empregos novos por mês até o momento nesta expansão, em comparação com 99.000 na ascensão anterior. Durante o mesmo período, o investimento em produtos de propriedade intelectual, como software, mal aumentou como fatia do PIB na comparação com o último ciclo.

"A baixa produtividade da mão de obra é o maior problema com a história que eu conto", disse Andrew McAfee, codiretor da Iniciativa em Economia Digital do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e um dos autores de "A segunda era das máquinas", um livro sobre a próxima onda de tecnologia. "Algumas dessas inovações extremamente profundas vão demorar um pouco para se difundir."

Não existe uma única história que explique por que a segunda onda da tecnologia esteja chegando aos poucos na economia, em vez de inundá-la de uma vez. A Bloomberg News conversou com várias empresas para descobrir como vai o ritmo da adoção tecnológica. A seguir, alguns dos principais tópicos que surgiram:

Os robôs têm capacidade para realizar tarefas extremamente repetitivas na fabricação, mas na maior fábrica da BMW do mundo, localizada em Spartanburg, Carolina do Sul, nos EUA, os assuntos em voga são complexidade e personalização, tarefas que exigem a participação humana.

Extrair dados de operações de fabricação extremamente automatizadas é mais difícil do que parece, segundo executivos da Cisco Systems.

Por último, quando se trata de delegar a um computador alguma tarefa operacional fundamental, existe um grande ponto nevrálgico: a confiança.

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