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Produção de açúcar deve se recuperar no maior país consumidor

Pratik Parija e Manisha Jha

(Bloomberg) -- A produção de açúcar da Índia deverá se recuperar de sua maior baixa em sete anos. O motivo é que as chuvas acima do normal no país, que é o maior consumidor mundial, ajudam na colheita da cana que será processada a partir de 1º de outubro.

A produção doméstica da Índia provavelmente aumentará pela primeira vez em três anos, para 25 milhões de toneladas, segundo a mediana das estimativas de sete traders, analistas e autoridades do setor entrevistados pela Bloomberg. O número contrasta com o de 20,3 milhões de toneladas da safra 2016-2017, segundo a Associação de Usinas de Açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês), que ainda não elaborou uma previsão para a safra 2017-2018.

A possível recuperação da produção de açúcar da Índia aumentaria o excedente global projetado para 2017-2018, pressionando ainda mais os contratos futuros de Nova York, que caíram mais de 30 por cento nos últimos 12 meses e estão perto do menor patamar em 16 meses. O crescimento do consumo da Índia é estável, mas o Departamento de Agricultura dos EUA prevê que a demanda global do açúcar cairá pela primeira vez em duas décadas devido aos impostos aplicados aos refrigerantes, às preocupações com a saúde e aos gastos reduzidos nos países em desenvolvimento.

"As oportunas chuvas acima da média até o momento estão levando os produtores a ampliarem o plantio", disse Prakash Naiknavare, diretor-gerente da Federação Nacional de Usinas de Açúcar Cooperativas. "A cana-de-açúcar é amigável para o produtor porque tem um mercado seguro com preço garantido."

As estimativas de produção na pesquisa da Bloomberg variaram entre 24,5 milhões de toneladas e 26 milhões de toneladas.

O açúcar para entrega em outubro chegou a cair 1,5 por cento, para 13,71 centavos por libra-peso, na ICE Futures U.S., nesta quarta-feira. Os gestores de recursos vêm aumentando as apostas pessimistas no açúcar bruto, sendo que posição líquida é a mais pessimista em mais de dois anos, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês).

A perspectiva de uma produção maior acompanha a previsão do Departamento de Meteorologia da Índia de que haverá chuva normal pelo segundo ano seguido em 2017 após dois anos consecutivos de seca. Choveu 4 por cento acima do normal em junho, e a maior parte do país recebeu um nível normal de precipitações ou chuvas em excesso, o que beneficiou as plantações. As lavouras de cana-de-açúcar se estendiam por 4,75 milhões de hectares em 30 de junho, contra 4,48 milhões de hectares um ano antes, segundo o Ministério da Agricultura do país.

As reservas de açúcar poderão cair para 3,4 milhões de toneladas em 1º de outubro, contra 7,7 milhões de toneladas no ano anterior, segundo a pesquisa. A produção da safra 2016-2017 foi prejudicada pelo clima seco em importantes regiões produtoras.

Os baixos estoques podem forçar a Índia a importar açúcar para o restante da safra 2016-2017. Dois entrevistados afirmam que as importações podem chegar a 500.000 toneladas e outro prevê compras de 2 milhões de toneladas. O volume de possíveis importações em 2017-2018 dependerá da política do governo para permitir compras isentas de impostos, mesmo que as importações de açúcar bruto possam ser viáveis com um imposto sobre a importação de 40 por cento, segundo dois participantes da pesquisa.

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