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Boom de consumo cria novos polos automotivos no Sudeste Asiático

Karl Lester M. Yap

(Bloomberg) -- Para se ter uma noção da crescente base de 600 milhões de consumidores do Sudeste Asiático, e do que isso significa para o crescimento econômico, observe a indústria automotiva.

As fabricantes de automóveis estão correndo para ganhar uma fatia maior do mercado, atraídas pelo aumento da renda e por jovens trabalhadores que procuram comprar seu primeiro automóvel.

As Filipinas e o Vietnã serão os dois polos de produção de mais rápido crescimento entre 2017 e 2021, segundo a BMI Research. A produção aumentará 300 por cento nas Filipinas, para 359.000 unidades, e quase dobrará no Vietnã, para 112.000 unidades, projetou a empresa em junho.

A Toyota Motor e a PSA Group estão entre as que chegam para tirar vantagem das populações cada vez mais ricas de ambos os países -- entre as quais muitos habitantes são consumidores de primeira viagem, considerando que a posse de carros atualmente é baixa. Eles também ostentam taxas de crescimento econômico de mais de 6 por cento -- entre as mais rápidas do mundo.

"A produção de veículos nas Filipinas e no Vietnã permanecerá em grande parte voltada ao consumo doméstico", disse Fabrice Gatwabuyege, analista de automóveis da BMI em Joanesburgo, por e-mail. Para aumentar sua competitividade como destino de fabricação, os governos precisam fortalecer a infraestrutura, o ambiente de negócios e as políticas automotivas, disse ele.

Posse de carros

Apenas 6 por cento das famílias possuem carros nas Filipinas e 2 por cento no Vietnã, segundo a think tank Pew Research Center, que utilizou dados de 2014. A proporção é de 82 por cento na Malásia e de 51 por cento na Tailândia. As compras de automóveis aumentarão em média 15 por cento ao ano nas Filipinas e no Vietnã nos próximos cinco anos, prevê a BMI.

As Filipinas ofereceram mais de US$ 500 milhões em incentivos para as fabricantes que se comprometerem a produzir pelo menos 200.000 unidades de um modelo ao longo de seis anos, e a Mitsubishi Motors e a Toyota se inscreveram. A Mitsubishi, que abrirá uma fábrica de estampagem de metal nas Filipinas em 2018, prevê um aumento de 50 por cento em sua produção.

As vendas de veículos estão aumentando rapidamente com o crescimento da economia. As compras subiram 18 por cento em relação ao ano anterior nos cinco primeiros meses do ano, após avançarem 25 por cento em 2016. Mas há riscos pela frente. O presidente Rodrigo Duterte pressiona por uma mudança radical nas leis tributárias, o que inclui a aplicação de impostos mais altos para os carros.

Enquanto isso, a fabricante francesa PSA, dona de marcas como Citroën e Peugeot, e a Hyundai Motor estão ampliando a produção no Vietnã com o objetivo de vender para a região. O bilionário chinês Li Shufu está comprando uma participação na deficitária fabricante de veículos malaia Proton Holdings.

Mas todos esses novos investimentos serão insuficientes para destronar a Tailândia e a Indonésia como rainhas da indústria automotiva no Sudeste Asiático. Os dois países ostentam, cada um, produções anuais de mais de um milhão de unidades e fabricantes atraídas pelas robustas cadeias de abastecimento e logística e por melhores infraestruturas de transporte.

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