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Excesso de bônus no exterior e risco político ofuscam Argentina

Carolina Millan

(Bloomberg) -- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, começou a perder o brilho. Os bônus do país no exterior estão entre os de pior desempenho em mercados emergentes nas últimas três semanas, o peso continua atingindo níveis recordes de baixa, e essa volatilidade cambial levou a uma das maiores elétricas argentinas a desistir de uma emissão de dívida. Talvez o mais constrangedor tenha sido a fracassada tentativa da Argentina de recuperar o status de mercado emergente no mês passado, deixando o país encurralado em uma "fronteira" que inclui Ilhas Maurício, Sri Lanka e Cazaquistão.

Não era para ser assim. Queridinho dos investidores de mercados emergentes desde que assumiu o poder em dezembro de 2015, prometendo impulsionar a economia, controlar a inflação e reverter normas que travavam os negócios, Macri agora batalha para cumprir as promessas depois de uma desvalorização dos preços dos ativos. Para piorar as coisas, uma nova ameaça desponta no horizonte: Cristina Kirchner vai disputar uma vaga no Senado, aumentando a possibilidade de que a ex-presidente, muito impopular entre os investidores, esteja prestes a voltar à política.

"Estamos naquele ponto onde o governo precisa apresentar alguns resultados concretos sobre seus objetivos", disse Michael Roche, estrategista de renda fixa da Seaport Global Holdings. "Seria certamente desanimador se uma grande parte da população ainda quisesse ter de volta uma administração desastrosa da economia e coisas do gênero."

Os níveis da dívida têm chamado a atenção dos investidores nos últimos dias, depois que o governo surpreendeu o mercado ao vender bônus de 100 anos em meados de junho, entrando para o pequeno clube de países em desenvolvimento que convenceram detentores de títulos a emprestar por um século.

Embora Macri tenha conseguido taxas de juros historicamente baixas, estrategistas estão preocupados com o excesso de bônus argentinos devido à onda de emissões desde que o presidente assumiu o poder.

A emissão de 100 anos, de US$ 2,75 bilhões, elevou o total da dívida atrelada ao dólar no exterior para US$ 10,2 bilhões no primeiro semestre, superando as estimativas iniciais do governo de US$ 7 bilhões para todo o ano de 2017 em seu programa financeiro. O plano ainda tem espaço para a emissão de US$ 2,6 bilhões em euros ou francos suíços e de US$ 3 bilhões em mercados locais no resto do ano. Isso sem falar nas vendas de US$ 19 bilhões em bônus soberanos em 2016, quando Macri levou a Argentina de volta ao mercado de capitais global depois de uma disputa com credores que durou uma década nos tribunais.

Os investidores de bônus também acompanham as eleições legislativas que acontecem em outubro, quando a coalizão Cambiemos de Macri enfrentará Cristina Kirchner em sua tentativa de ressuscitar sua carreira política. As incertezas sobre o cenário derrubaram o peso e a Pampa Energia foi obrigada a desistir de uma emissão de bônus no mercado externo na semana passada em meio à volatilidade. O partido de Macri estava empatado com o de Kirchner em uma pesquisa publicada pela Management & Fit em 2 de julho.

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