Megafusão cria nova rainha do mercado de ações na Argentina

Pablo Gonzalez e Justin Villamil

(Bloomberg) -- O bilionário David Martínez pode ter dificuldades para manter a discrição agora que comanda a fusão que criará a maior empresa de capital aberto da Argentina.

A combinação da Telecom Argentina com a Cablevisión produzirá uma potência das telecomunicações com valor de mercado de US$ 11,5 bilhões, segundo a corretora TPCG. O principal acionista da nova empresa será Martínez, natural de Monterrey, no México, que divide seu tempo entre Nova York e Londres e raramente concede entrevistas.

A empresa combinada será a primeira da Argentina com autorização legal para oferecer pacotes de serviços de telefonia celular, linha telefônica fixa, internet e televisão a cabo aos consumidores. O acordo é o resultado da política de reforma do presidente Mauricio Macri e "impulsionará a qualidade do serviço e a digitalização do país", pressionando a Telefónica e a América Móvil a investirem e reduzirem preços, disse o ministro das Comunicações da Argentina, Oscar Aguad, em entrevista por telefone, em 4 de julho.

Martínez, que já foi candidato ao sacerdócio, mas acabou virando um mago dos investimentos em dívidas distressed, não deve ter dificuldades para conseguir aprovação regulatória para a transação, disse Aguad. A Telefónica, que oferece planos de telefonia celular, fixa e de internet na Argentina, mas ainda não tem autorização para oferecer TV, disse que é injusto permitir que sua rival tenha uma vantagem inicial para venda do pacote completo de serviços.

A avaliação calculada pela TPCG para a empresa combinada Telecom-Cablevisión considera que as ações da empresa serão negociadas em sintonia com a média de seus pares latino-americanos, disse Florencia Mayorga Torres, analista da corretora. Se for o caso, a empresa será mais barata que provedoras consolidadas de pacotes de serviços de telecomunicações, como a mexicana América Móvil, a chilena Entel e a brasileira Oi, disse ela.

Entre as empresas argentinas, o valor patrimonial superaria por pouco o da Mercado Libre, de US$ 11,4 bilhões, e o da estatal YPF, de US$ 8,7 bilhões.

Segundo os termos da fusão anunciados no último fim de semana, a Telecom Argentina emitirá 1,19 bilhão de novas ações para os proprietários da Cablevisión. Após a conclusão do acordo, os detentores da Cablevisión serão proprietários de 55 por cento da Telecom Argentina e os investidores da empresa de telefonia responderão pelo restante.

Martínez detém participações em ambas as empresas. Incluindo diversas fatias indiretas na Nortel Inversora, sua participação na empresa combinada será de 40,5 por cento. O segundo maior acionista será o Grupo Clarín, gigante argentino do setor de mídia, que será proprietário indireto de 33 por cento da nova empresa.

A fortuna total de Martinez é avaliada em US$ 3,7 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. A estimativa considera que ele continua sendo o único proprietário da Fintech.

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