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Empresa dos EUA defende uso de antibióticos na criação de aves

Megan Durisin e Shruti Date Singh

(Bloomberg) -- O frango sem antibióticos se popularizou devido à reação dos consumidores ao alerta científico a respeito da ameaça representada pelas bactérias resistentes aos antibióticos. Segundo a Pilgrim's Pride, cerca de um terço do mercado de frangos dos EUA está livre dos produtos farmacêuticos e essa participação está crescendo.

Mas uma das maiores produtoras do país rejeita essa tendência. A Sanderson Farms, uma empresa de 70 anos com sede em Laurel, no Mississippi, está dobrando a aposta nessa posição contrária com uma série de comerciais de rádio e televisão que exaltam as virtudes da agricultura industrial e o uso generalizado de antibióticos.

A resistência aos antibióticos é um dos problemas de saúde pública mais urgentes, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Os cientistas estão preocupados com o fato de o uso de drogas em animais criar bactérias que não respondem aos antibióticos e ameaçam os humanos. A Tyson, maior processadora de frangos do país, se comprometeu em abril a eliminar o uso de antibióticos humanos. A Perdue, outra grande produtora dos EUA, também se distanciou do uso de antibióticos. No ano passado, a gigante da alimentação Cargill citou uma pesquisa que apontou que a maioria dos consumidores, tanto nos EUA quanto no Brasil, preferem carne sem antibióticos.

Na visão da Sanderson, a crescente adoção de aves livres de antibióticos por suas maiores concorrentes -- incluindo a Tyson Foods e a Perdue Farms -- é um triunfo do marketing que ignora métodos em sua opinião testados e aprovados, que criaram uma indústria aviária rentável que ao mesmo tempo apoia o bem-estar dos animais. "Moralmente, não me parece correto", disse o presidente do conselho da empresa, Joe F. Sanderson Jr., em conferência de investidores em Nova York, em maio, em referência à maneira que o setor trata o assunto.

Derrubar mitos

Um vídeo televisivo lançado pela Sanderson na segunda-feira mostra imagens bucólicas, semelhantes a desenhos animados, de uma fazenda na qual os equipamentos trazem slogans como "criado com 100 por cento de boas vibrações", "abraçado duas vezes por dia" e "alimentado com uma dieta de elogios". A empresa, então, afirma que seu "frango bom e honesto" é criado usando o "senso comum".

Os americanos comerão uma média de 40,9 quilos de frango por pessoa neste ano, segundo o governo, uma quantidade recorde. A maioria deles está confusa em relação ao que escolher no supermercado, segundo o diretor financeiro da Sanderson, Mike Cockrell, visão respaldada pela empresa de pesquisas com consumidores Mintel. A Sanderson afirma que sua campanha publicitária tem por objetivo derrubar mitos e ajudar o público a fazer a escolha certa.

Mas também aponta deliberadamente ao mercado principal da empresa, o sul dos EUA. Nessa região é menos provável que os consumidores escolham frangos orgânicos ou livres de antibióticos, que são mais caros, diferentemente dos habitantes de Nova York ou São Francisco, disse Cockrell. "O método convencional de criação de galinhas simplesmente se enquadra à nossa filosofia e os outros não", disse ele em entrevista.

O foco da Sanderson é mais econômico do que geográfico, segundo a analista Farha Aslam, da Stephens. "Cada empresa está buscando um nicho que funciona para si e usando sua vantagem competitiva", disse ela em entrevista. "A Sanderson é uma líder de baixo custo capaz de oferecer aos clientes e aos consumidores proteínas com preços muito atraentes."

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