Reino Unido propõe fundo para ajudar startups de tecnologia

Adam Satariano

(Bloomberg) -- O Reino Unido propôs criar um novo fundo nacional de investimento para ajudar a preencher uma lacuna de financiamento de 4 bilhões de libras esterlinas (US$ 5,3 bilhões) entre as startups de tecnologia americanas e britânicas.

O fundo forneceria dinheiro e outros incentivos às startups mais promissoras do país no intuito de transformar essas empresas jovens em futuras líderes do mercado, segundo uma consulta anunciada nesta terça-feira pelo Tesouro britânico. As autoridades analisarão como estimular que fundos de previdência invistam em tecnologia e como comercializar pesquisas realizadas por universidades britânicas.

A Europa não produziu nenhum gigante do setor de tecnologia como Google, Facebook, Tencent Holdings e Alibaba Group Holding, que prosperaram nos EUA e na China. As startups europeias enfrentam várias desvantagens, entre elas diferenças idiomáticas e fronteiras geográficas que dificultam o crescimento rápido das empresas.

Além disso, o conjunto de capital de risco disponível para empresas jovens é menor, segundo o relatório, que não deu muitos detalhes sobre o tamanho ou a estrutura do fundo proposto. O objetivo é eliminar a desvantagem do país fornecendo o "capital paciente" necessário para o crescimento das startups, segundo o relatório.

Governos europeus tentam há anos estimular o setor de tecnologia da região. O Reino Unido oferece várias isenções fiscais para investidores em startups, e a França, a Alemanha, Portugal e outros países concedem diversos subsídios. Contudo, as políticas não produziram muitas das maiores startups do mundo.

Inovação

Segundo o relatório do Tesouro britânico, menos de 10 por cento das empresas que recebem capital inicial no Reino Unido chegam à quarta rodada de investimento, em comparação com quase um quarto nos EUA. O Reino Unido tem apenas 4 por cento das startups "unicórnio" do mundo, ou seja, aquelas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, em comparação com 54 por cento nos EUA e 23 por cento na China.

Um argumento central para criar o novo fundo no Reino Unido é compensar algumas das possíveis ramificações da decisão do país de sair da União Europeia. Quase 40 por cento de todos os recursos destinados a empresas de capital de risco com sede no Reino Unido vêm do pouco conhecido Fundo Europeu de Investimento, financiado pela UE. Se esse financiamento acabar por causa do Brexit, isso repercutirá no ecossistema da tecnologia do Reino Unido como um todo.

"O Reino Unido é uma potência da inovação, e é vital garantir que nossas empresas de ponta tenham os fundos de que precisam para atingir seu potencial e conquistar novos mercados", disse o ministro das Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, em um comunicado.

O fundo proposto pelo Tesouro deverá ser analisado pelo Parlamento antes que possa ser aprovado.

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