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Saída de profissional do Morgan Stanley chacoalha Wall Street

Sridhar Natarajan e Hugh Son

(Bloomberg) -- Foi uma falta perdoável, segundo muitos em Wall Street. Talvez um trader de títulos de dívida enrolando um cliente. Nada extraordinário.

Porém, o jovem profissional, Patrick Brennan, não trabalha mais para o Morgan Stanley depois que os supervisores dele receberam uma queixa do fundo de hedge cliente, que afirma ter sido enganado. Embora não exista qualquer acusação de que Brennan violou a lei, o problema levantado pela Hutchin Hill Capital motivou uma revisão e a saída dele em julho, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Brennan já foi contratado por um banco de investimento rival, o Jefferies Group, mas a controvérsia deixou profissionais como ele intrigados - e surpresos - com a extensão da reprimenda das instituições a conversas inadequadas com clientes. O caso também ilustra a nova realidade dos mercados de dívida: os operadores de títulos antigamente estavam em pé de igualdade com seus clientes gestores de fundos e hoje foram reduzidos a simples formadores de mercado, ao passo que seus empregadores temem desagradar clientes.

Brennan e representantes do Morgan Stanley, Hutchin Hill e Jefferies se recusaram a comentar.

Ele se formou em 2011 na Boston College, passou pelo Citigroup e entrou no Morgan Stanley há um ano. O problema começou quando a Hutchin Hill, fundo de hedge com aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos, percebeu que alguém executou uma transação com um instrumento financeiro que tinha na carteira, provocando queda no preço. A firma concluiu que o Morgan Stanley estava envolvido na transação e confrontou Brennan, que, segundo as fontes, enganou o cliente dizendo que não tinha nada a ver com aquilo.

Discutindo a saída

Não está claro o que aconteceu em seguida, mas depois que a Hutchin Hill reclamou com os supervisores dele, Brennan e executivos do Morgan Stanley concordaram em corrigir as informações junto ao fundo de hedge, reconhecendo seu envolvimento, disse uma das pessoas.

Brennan logo estaria negociando a saída dele. As tratativas com o Morgan Stanley ainda estavam em curso há duas semanas. Brennan não tinha obrigação de discutir a transação com a Hutchin Hill porque a mesma não tinha ligação direta com o fundo de hedge, de acordo com as fontes. Porém, a situação se agravou quando Brennan deu a informação errada.

Os bancos de Wall Street se tornaram atentos a comunicações aparentemente desonestas após uma série de processos criminais, nos quais operadores foram acusados de se aproveitar da falta de clareza do mercado de títulos para vantagem própria.

Transações ativas

A ética que rege interações entre cliente e corretor não se limita a transações ativas entre as duas partes, de acordo com Mark Williams, professor de finanças da Faculdade de Administração Questrom, da Universidade de Boston.

"Como cliente, se eu achasse que recebi informação não verdadeira, eu ficaria preocupado", disse Williams, que não tinha conhecimento dos detalhes do episódio envolvendo Brennan.

O caso chocou muitos traders, que sempre atuaram acreditando que blefar fazia parte da rotina de trabalho. Ter informação é essencial para superar concorrentes, especialmente no mercado de dívidas em situação de estresse. Nos últimos anos, promotores descreveram algumas dessas táticas como fraudulentas.

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