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Doença misteriosa diminui e número de abelhas aumenta nos EUA

Alan Bjerga

(Bloomberg) -- O número de abelhas melíferas dos EUA, um elemento fundamental para a indústria agrícola, aumentou em 2017 em relação ao ano anterior, e as mortes dos insetos atribuídas a uma doença misteriosa que afetou as colmeias na América do Norte e na Europa diminuíram, de acordo com um estudo sobre a saúde das abelhas divulgado na terça-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

O número de colônias comerciais de abelhas melíferas dos EUA aumentou 3 por cento para 2,89 milhões até 1º de abril de 2017 em relação ao ano anterior, informou o Departamento de Agricultura. O número de colmeias perdidas para o distúrbio do colapso das colônias (CCD, na sigla em inglês), um fenômeno que provocou o desaparecimento de abelhas e gerou preocupação entre fazendeiros e cientistas durante uma década, foi de 84.430 no primeiro trimestre deste ano, 27 por cento menos que no ano anterior. As perdas de um ano para o outro diminuíram na mesma porcentagem entre abril e junho, os dados mais recentes na pesquisa.

Ainda assim, mais de dois quintos dos apicultores disseram que os ácaros estavam prejudicando suas colmeias, e como agrotóxicos e outros fatores continuam estressando as abelhas, o aumento geral é, em grande parte, resultado do constante reabastecimento de perdas, segundo o estudo.

"Você cria novas colmeias rompendo suas colmeias mais fortes, o que simplesmente deixa-as mais fracas", disse Tim May, um apicultor em Harvard, Illinois, que é vice-presidente da Federação Americana de Apicultura, com sede em Atlanta. "Verificamos a existência de ácaros, mantemos nossas abelhas bem alimentadas, nos comunicamos com os agricultores para que eles não pulverizem pesticidas quando nossas colmeias são vulneráveis. Não sei o que mais podemos fazer."

Grupos ambientalistas ficaram alarmados com o declínio de 90 por cento da população de agentes polinizadores, como abelhas selvagens e borboletas-monarca, durante as duas últimas décadas. Alguns acreditam que uma classe de pesticidas chamada neonicotinóides é uma possível causa, uma ligação rejeitada pela Bayer e por outros fabricantes.

No estudo do USDA, os apicultores que possuíam pelo menos cinco colônias, ou colmeias, relataram mais perdas devido ao ácaro Varroa, um parasita que vive apenas em colmeias e sobrevive sugando o sangue de insetos. Essa praga, presente nos EUA desde 1987, foi registrada em 42 por cento das colmeias comerciais entre abril e junho deste ano, de acordo com o USDA. O valor é inferior à proporção de 53 por cento registrada no mesmo período do ano anterior.

Entre outros fatores, os apicultores disseram que 13 por cento das colônias no segundo trimestre deste ano foram afetadas por pesticidas, 12 por cento por ácaros e pragas, excetuando-se Varroa, e 4,3 por cento por doenças. O mau tempo, a fome, a forragem insuficiente e outros motivos foram listados como problemas com 6,6 por cento das colmeias.

Na pesquisa, a perda de uma colmeia foi atribuída ao colapso da colônia nos casos em que Varroa ou outros ácaros foram descartados como causa; poucas abelhas mortas foram encontradas em uma colmeia, um sinal de que elas fugiram; uma abelha-rainha e as reservas de alimentos estavam aparentemente normais antes do colapso; e as reservas de alimentos foram abandonadas depois da fuga.

--Com a colaboração de Agnieszka de Sousa

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