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Executivos arregimentados por Trump não mostram avanços

Matthew Townsend, Shannon Pettypiece e Joe Deaux

(Bloomberg) -- Elon Musk, da Tesla, e Bob Iger, da Walt Disney, saíram. Jeffrey Immelt, da General Electric, e Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, expressaram desacordo.

O grupo de grandes cérebros do setor privado formado pelo presidente americano Donald Trump - originalmente composto por esses nomes mais cerca de 50 comandantes de empresas escolhidos para ajudar a delinear as medidas da Casa Branca - até agora não apresentou grandes ideias.

Na verdade, o fórum de estratégia e políticas públicas teve pouca atividade, segundo pessoas a par do assunto que pediram anonimato. Após encontros iniciais promovidos com alarde logo que Trump assumiu o cargo, o governo dele não reúne o grupo há meses e não definiu datas firmes para novas conversas, de acordo com as fontes.

Com o tumulto em Washington, líderes empresariais renomados, incluindo alguns desses assessores informais, começaram a se distanciar do presidente. Os comandantes da Tesla e da Disney foram além, se retirando em junho após Trump ter abandonado o Acordo de Paris em prol do clima. O ex-presidente da Uber Technologies, Travis Kalanick, saiu em fevereiro, após a polêmica ordem executiva de Trump contra a imigração.

Presidente empresário

É notável que isso tenha acontecido com o primeiro ocupante da Casa Branca que já presidiu empresas. Ele se vendeu durante a campanha como negociador astuto que reduziria impostos e flexibilizaria regulamentos para impulsionar as companhias dos EUA.

Após prometer impor a disciplina dos negócios em Washington e se cercar de executivos, ele está à frente de um governo caótico que não consegue entregar resultados. Ele vem tentando reduzir a alíquota tributária para pessoa jurídica - um tema que agrada executivos --, mas esse plano foi colocado em segundo plano pela batalha em torno do programa de saúde implantado por seu antecessor (conhecido como Obamacare) e por investigações sobre a interferência da Rússia na eleição, incluindo possíveis ligações com a equipe de Trump.

O grupo voltado para indústria, liderado pelo presidente da Dow Chemical, Andrew Liveris, não se reúne há cinco meses. O presidente da Ford Motor, Mark Fields, foi demovido pelo conselho de administração da montadora em maio e ainda não foi substituído. Já o fórum de estratégia liderado pelo presidente da Blackstone Group, Stephen Schwarzman, se encontrou pela última vez em 11 de abril, embora Trump tenha proposto reuniões mensais.

"O propósito desse grupo não é para discussão geral e não há problema nisso", declarou Schwarzman na primeira reunião, em 3 de fevereiro. "Mas o propósito real é fazer que as coisas aconteçam, aconselhar o governo em relação a áreas nas quais podemos ir muito melhor como país, para todos os americanos, e remover alguns gargalos."

Problema de agenda

Christine Anderson, porta-voz da Blackstone, se recusou a comentar. Uma pessoa com conhecimento dos assuntos do fórum disse que agendar as reuniões tem sido um problema e que o objetivo é realizar uma reunião no quarto trimestre. Schwarzman e outros integrantes do grupo participaram de discussões no mês passado entre o alto escalão de economia e executivos dos EUA e da China. As conversas foram interrompidas sem haver um comunicado conjunto das superpotências.

Liveris, conhecido defensor do presidente, disse após a reunião do grupo da indústria em fevereiro que eles voltariam em dois meses com soluções para diversos temas, incluindo a reconstrução da infraestrutura e reformas regulatórias.

--Com a colaboração de Stephen Engle e Keith Naughton

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