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Wal-Mart pressiona fornecedores a policiar produtos químicos

Lauren Coleman-Lochner e Taylor Cromwell

(Bloomberg) -- O Wal-Mart Stores se uniu a um novo programa que classifica as empresas de acordo com seu uso de produtos químicos, decisão que gera uma nova pressão para que o setor de produtos de consumo policie seus ingredientes.

A maior empresa de varejo do mundo está participando do Chemical Footprint Project, que busca ajudar as empresas a eliminarem substâncias perigosas dos produtos que vendem. Mais de 20 empresas aderiram à iniciativa, incluindo Johnson & Johnson, HP e Staples, segundo relatório de quarta-feira. A ideia é criar um padrão nos moldes das pontuações das pegadas de carbono.

O envolvimento do Wal-Mart dá um grande impulso ao programa criado há três anos e ressalta o crescente movimento das empresas dos EUA para se autorregularem. Os consumidores estão verificando cada vez mais a lista de ingredientes nos rótulos dos produtos que compram -- e forçando as empresas a evitar produtos feitos com químicos controversos, como formaldeído ou ftalatos.

"Em última análise, queremos gerar confiança na marca Wal-Mart", disse Zach Freeze, chefe de iniciativas estratégicas da empresa de varejo em torno da sustentabilidade. O programa oferece uma "abordagem mais holística" e orientações para empresas que desejam gerenciar o uso de produtos químicos.

Como parte do projeto, as empresas realizam um questionário de 20 perguntas que examina suas políticas, metas e ações destinadas à redução de substâncias tóxicas -- juntamente com a quantidade de informações que divulgam. A pontuação máxima é de 100.

O Chemical Footprint Project foi criado por uma organização chamada Clean Production Action em 2014. A decisão foi uma resposta à demanda de consumidores e investidores, cada vez mais preocupados com os produtos químicos perigosos usados pelas empresas, disse Mark Rossi, diretor-executivo do grupo.

Riscos financeiros

"Existem literalmente riscos químicos desde uma perspectiva financeira e os investidores geralmente não têm uma janela para isso", disse Rossi.

Os custos relacionados à exposição ao bisfenol A, uma substância comum por exemplo no revestimento dos alimentos enlatados, são estimados em 163 bilhões de euros por ano apenas na União Europeia, segundo o relatório.

Antes do início do Chemical Footprint Project, as empresas não tinham um padrão de terceiros para avaliar as cadeias de abastecimento e os riscos apresentados pelos produtos perigosos, disse Rossi.

A Boston Common Asset Management, uma firma de investimentos focada em causas sociais e ecológicas, é uma das 65 signatárias do projeto. Mais consumidores estão começando a questionar como as coisas são feitas e de onde vêm seus produtos, disse Brian Chiappinelli, chefe de desenvolvimento comercial da empresa. Wall Street também está prestando mais atenção a questões de sustentabilidade, disse ele.

"Tudo se resume à avaliação de risco", disse Chiappinelli. "As agências reguladoras dão seu melhor, mas nem sempre fazem tudo."

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