As cidades dos EUA onde aluguel alto deixa mais pessoas sem teto

Patrick Clark

(Bloomberg) -- Quando o aluguel sobe 5 por cento em Atlanta, mais 83 pessoas viram sem-teto. Em Nova York, o mesmo ocorre com 3.000 cidadãos.

Em um novo estudo, a empresa especializada em dados imobiliários Zillow comparou suas próprias estimativas para a mediana dos aumentos dos aluguéis nas maiores cidades dos EUA com os dados sobre pessoas sem-teto publicados pelo Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD, na sigla em inglês) em uma tentativa de descrever a relação entre o aumento dos aluguéis e a perda da moradia. A conclusão é que essa relação varia em cada lugar.

O aumento de 5 por cento nos aluguéis em Atlanta pode ampliar a população sem-teto em 1,5 por cento -- e em Nova York, em 3,9 por cento. Cidades como Pittsburgh, Minneapolis e Detroit podem ter populações menores de sem-teto, mas também são sensíveis ao aumento dos aluguéis.

Os aumentos dos aluguéis têm maior probabilidade de deixar mais pessoas desabrigadas em mercados imobiliários com menos residências vagas, disse Skylar Olsen, economista sênior da Zillow. Cidades como Houston e Tampa, acrescentou, têm tido mais sucesso em evitar que o aumento dos aluguéis expulse as pessoas de suas casas. O estudo usou as definições geográficas utilizadas pelo HUD para contar a população sem-teto, disse ela.

Nos EUA, faltam mais de 7 milhões de unidades habitacionais acessíveis para famílias de renda extremamente baixa, segundo a Coalizão Nacional de Habitação de Baixa Renda, que define essas famílias como aquelas que ganham menos de 30 por cento da renda mediana da região. Esses inquilinos de baixa renda podem não estar morando em residências com a mediana dos aluguéis da região, mas um aumento do aluguel pela mediana pode elevar os preços até mesmo das unidades mais baratas segundo os preços de mercado.

"Há uma oferta abrangente de unidades que está se tornando um problema real", disse Olsen. "As pessoas caem de nível e isso empurra todas as demais para baixo, e então aqueles que estão no último degrau caem para fora."

Milhares de famílias de baixa renda podem enfrentar uma nova pressão devido aos cortes propostos pela Casa Branca, que reduziriam o orçamento do HUD em US$ 7,4 bilhões em 2018. Esses cortes eliminariam 250.000 cupons de auxílio-aluguel do programa Housing Choice, também conhecido como Section 8, segundo análise de Douglas Rice, analista de políticas sênior do Centro para Prioridades Políticas e Orçamentárias (CBPP, na sigla em inglês).

Alguns desses cortes serão amortizados pelo volume de negócios regular, já que uma parte das pessoas que recebem ajuda deixa o programa todos os anos, por uma ou outra razão. Mas o nível de cortes propostos indica que muitas autoridades locais do setor de habitação terão que reduzir o montante para assistência oferecido aos detentores desses cupons -- ou, em alguns casos, retirar a ajuda por completo.

Para entrar em contato com o repórter: Patrick Clark em New York, pclark55@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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