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China restringe transações para não cometer erro do Japão: Fonte

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O principal assessor econômico do presidente Xi Jinping encomendou um estudo no início deste ano para saber como a China poderia evitar o destino do fracasso épico do Japão nos anos 1990 e as subsequentes décadas de estagnação.

O relatório abrange um amplo leque de assuntos, do Acordo de Plaza sobre a moeda até uma bolha imobiliária e dados demográficos que mostram a população japonesa como a mais idosa da Ásia, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto que viu o informe. Embora com detalhes escassos, a pessoa revelou uma recomendação fundamental que as autoridades implementaram de imediato: a necessidade de restringir a onda mundial de compras empreendida pelas maiores empresas privadas do país.

Os líderes do Partido Comunista discutiram a experiência do Japão em uma reunião do Politburo em 26 de abril, de acordo com a pessoa, que pediu para não ser identificada porque as discussões são privadas. A imprensa estatal entrou em polvorosa depois, com reportagens anunciando o alerta de Xi de que a estabilidade financeira é crucial no crescimento econômico.

Então, em junho, surgiu uma notícia bombástica: relatos de que o órgão regulador bancário havia pedido que os bancos fornecessem informações sobre empréstimos no exterior contraídos por Dalian Wanda Group, Anbang Insurance Group, HNA Group, Fosun International e pelo proprietário do time de futebol italiano AC Milan. Embora o momento em que esses pedidos foram realizados não esteja claro, outros órgãos de vigilância logo emitiram diretrizes para conter empréstimos excessivos, especulações sobre ações e rendimentos elevados em produtos de gestão de riqueza.

Jim O'Neill, anteriormente economista-chefe do Goldman Sachs Group e ex-ministro do governo do Reino Unido, disse que as autoridades chinesas estão constantemente tentando evitar os erros cometidos por outros países -- em particular, pelo Japão.

"Você vê isso nas diversas tentativas de interromper potenciais bolhas imobiliárias para que a China não acabe com um colapso imobiliário semelhante ao japonês", disse O'Neill por e-mail. "Realmente parece haver sinais de que alguns investidores chineses não investem de maneira clara e compreensível, mas eles não são os únicos a fazer isso!"

O Escritório de Informação do Conselho de Estado não respondeu a um pedido, enviado por fax, de comentários sobre o relatório. Na terça-feira, o vice-ministro do Comércio, Qian Keming, disse a jornalistas que as empresas chinesas devem ser prudentes ao investir no exterior nos setores de entretenimento, esportes, hotelaria e imóveis.

As medidas refletem o receio de que os principais negociadores da China tenham contraído empréstimos excessivos de bancos estatais, ameaçando o sistema financeiro e, em última instância, a legitimidade do partido para governar -- uma preocupação fundamental antes do conclave quinquenal que acontecerá no fim deste ano e irá consolidar o poder de Xi até 2022.

O estudo foi encomendado por Liu He, cujo papel como diretor do escritório do principal comitê de política econômica do Partido Comunista faz dele um dos conselheiros mais importantes de Xi, disse a pessoa.

O estudo fornece pelo menos uma das principais razões por trás das medidas tomadas pela China para controlar o investimento no exterior, que subiu para um recorde de US$ 246 bilhões no ano passado. O impacto foi rápido: as aquisições no exterior caíram 55 por cento nos primeiros seis meses em relação ao mesmo período em 2016, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Para entrar em contato com o repórter: Jun Luo em Xangai, jluo6@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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