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Crise na Venezuela ameaça importações de petróleo dos EUA

Alex Nussbaum e Sheela Tobben

(Bloomberg) -- O navio-petroleiro Paramount Helsinki atracou na semana passada em Pascagoula, Mississipi, com a força vital da refinaria da Chevron: 532.000 barris de petróleo venezuelano.

Sua chegada no dia 23 de julho, enquanto a democracia da Venezuela caía na que poderia ser sua crise final, ressalta a incômoda parceria entre o setor de petróleo dos EUA e um país que, segundo alguns temem, caminha para uma ditadura.

Petroleiras de Nova Jersey ao Texas passaram a depender da Venezuela, país rico em petróleo, para abastecer suas enormes refinarias. Só no ano passado, mais de 270 milhões de barris cotados em cerca de US$ 10 bilhões chegaram ao litoral dos EUA - o suficiente para produzir uns 18,9 bilhões de litros de gasolina.

Agora, líderes do setor temem que esse fluxo vital poderia estancar se o governo do presidente Donald Trump proibir as importações para pressionar seu colega venezuelano, Nicolás Maduro. Nesta quinta-feira, os aliados do autocrata socialista começarão a reescrever a constituição, fato que põe de lado as instituições democráticas venezuelanas. A perspectiva de uma reação dos EUA que impeça a importação do petróleo é particularmente inquietante para empresas como Chevron, Phillips 66 e Valero Energy, que gastaram bilhões calibrando suas usinas para processar o petróleo lamacento, mas abundante, da Venezuela.

"Trump não revidou imediatamente porque muitos eleitores seriam afetados", principalmente as refinarias dos EUA e os motoristas, disse Sandy Fielden, diretor de pesquisa sobre commodities da Morningstar em Chicago. "Muitas partes diferentes serão impactadas."

Medida simbólica

Na segunda-feira, os EUA congelaram todos os ativos de Maduro nos EUA, medida em grande parte simbólica. Funcionários da Casa Branca prepararam uma lista de possíveis sanções adicionais, mas estão divididos quanto a restringir as vendas de petróleo bruto, segundo uma pessoa familiarizada com o planejamento. A pessoa pediu anonimato ao falar sobre deliberações internas.

Um embargo do petróleo da Venezuela, o terceiro maior fornecedor para os EUA, poderia forçar a produção a desacelerar nas refinarias do litoral do Golfo do México e, pelo menos temporariamente, elevaria o preço da gasolina. Isso poderia ser delicado para Trump, que atacou Barack Obama diversas vezes por causa do preço nos postos. "Os preços da gasolina são uma loucura - demitam Obama!", tuitou ele em 2012.

O ministro da Informação da Venezuela, Ernesto Villegas, disse na quarta-feira, em uma entrevista em Caracas, que uma punição só fortaleceria um presidente que já demoniza os EUA.

"Se sancionarem nosso petróleo, eles estarão nos fazendo um favor", disse Villegas. "O combustível ficará mais caro nos EUA e na Europa, e Nicolás Maduro continuará em Miraflores", disse ele, em referência ao palácio presidencial.

Se os EUA decidirem impedir as importações venezuelanas, o país poderia tentar reduzir o impacto sobre os preços utilizando petróleo de um estoque de emergência, a Reserva Estratégica de Petróleo. Contudo, essa oferta não se encaixaria perfeitamente com as refinarias que processam o petróleo pesado da Venezuela.

A ideia seria uma "solução de curto prazo", disse Joe McMonigle, analista sênior de políticas energéticas da HedgeEye Research e ex-chefe de Gabinete do Departamento de Energia dos EUA. "Mas eu acho que a Casa Branca entende o grande impacto potencial, por isso estão tentando propor soluções possíveis."

--Com a colaboração de Meenal Vamburkar Jennifer A. Dlouhy Kevin Orland e Bert Gilbert

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