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Donas de índices enfrentam bolsas sobre direitos de acionistas

Andrea Tan e Benjamin Robertson

(Bloomberg) -- As maiores empresas do mundo em índices tomaram lados em um dos assuntos mais polêmicos dos mercados atualmente e armaram o palco para enfrentar bolsas de valores que pretendem flexibilizar regras para múltiplas classes de ações.

FTSE Russell e S&P Dow Jones Indices decidiram vetar empresas que usam essas estruturas, o que já teve um impacto. A Snap, dona do aplicativo de compartilhamento de fotos, agora não se qualifica para os índices da S&P nos EUA. Mas uma batalha maior vai ser travada nos próximos meses, quando bolsas de Nova York a Hong Kong vão ampliar os esforços para atrair empresas, enquanto as compiladoras de índices e as gestoras de fundos que acompanham os índices deixam esses papéis fora de suas referências e carteiras de investimento.

Companhias como Facebook e Alibaba Group Holding têm estruturas duplas ou triplas de classes de ações para garantir que os fundadores e principais executivos mantenham controle mesmo sendo acionistas minoritários. Porém, investidores questionam se isso interessa a eles. Essas preocupações levaram compiladoras de índices a adotar uma posição que pode impedir que as companhias emitam múltiplas classes de ações no futuro, segundo um especialista em governança.

"As companhias ouvem os profissionais dos bancos e seus patrocinadores", disse Jamie Allen, secretário geral da Associação Asiática de Governança Corporativa. "Portanto, se eles disserem que isso vai desvalorizar a empresa, a exposição e o benefício de marketing obtido com a participação em um índice, isso teria algum efeito."

Na segunda-feira, a S&P proibiu a entrada de ações de múltiplas classes nos índices que calcula no mercado americano, incluindo o S&P 500, embora uma cláusula retroativa tenha livrado gigantes como Berkshire Hathaway e Alphabet (dona do Google). Na semana passada, a FTSE Russell, que é uma divisão da Bolsa de Valores de Londres, anunciou uma lista de mais de 30 companhias que serão barradas de seus índices a menos que elevem o percentual de ações com direito a voto designadas a investidores em geral.

Henry Fernandez, da MSCI, declarou em entrevista à Bloomberg Television em julho que a decisão das bolsas de flexibilizar regras para permitir múltiplas classes de ações "não é a direção certa" e que a MSCI está consultando clientes sobre a melhor maneira de lidar com esses papéis. A MSCI informou nesta quinta-feira que a revisão vai até 31 de agosto.

"Até agora, critérios baseados em governança não fazem parte da nossa metodologia de índices globais", afirmou a MSCI. "Com o feedback que solicitamos da comunidade de investimentos na época da oferta da Snap, tomamos a decisão subsequente de adotar engajamento mais formal nesse tema."

Pelo menos uma das empresas da lista da FTSE Russell, a formadora de mercado Virtu Financial, está tentando apresentar justificativas à compiladora de índices para não ser bloqueada, de acordo com pessoas a par do assunto. A Virtu trabalha com a FTSE Russell na definição de limites, segundo as fontes, que pediram anonimato porque as conversas são particulares.

Mesmo se as conversas não derem certo, a Virtu não seria expulsa dos índices calculados pela FTSE Russell por cinco anos. Já a situação da Snap é mais imediata: a classe de ações com zero direito a voto significa que a companhia está banida das referências da FTSE Russell e dos índices da S&P nos EUA.

As ações perderam um quarto do valor desde a abertura do capital da Snap, em março.

Representantes da Virtu e da Snap se recusaram a comentar. A FTSE Russell não deu resposta imediata.

A decisão da S&P afeta somente seus índices nos EUA e as métricas globais continuarão incluindo empresas com múltiplas classes de ações e zero direito a voto, segundo uma porta-voz.

(Adiciona declaração MSCI no sexto parágrafo.)

--Com a colaboração de Annie Massa Drew Singer e Rachel Evans

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