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Neymar seria mais um troféu para proprietários cataris do PSG

Alaa Shahine e Charles Penty

(Bloomberg) -- A iminente transferência recorde de Neymar para o time de futebol francês Paris Saint-Germain é um marco para um clube determinado a conquistar os principais troféus da Europa. Ela também é vista como uma declaração política de seu rico proprietário: o Catar.

O atacante brasileiro vai se transferir do FC Barcelona, da Espanha, para o PSG depois que o clube de propriedade do Catar concordou em pagar sua cláusula de rescisão contratual, de US$ 263 milhões, informou a Sky News. O valor total do negócio, incluindo salários e prêmios, pode chegar a quase US$ 600 milhões, segundo a emissora. Os representantes do PSG não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Se concretizada, a transferência seria apenas o último de uma série de acordos de grande destaque do Catar desde junho, quando uma aliança liderada pelos sauditas cortou laços com o país do Golfo depois de acusá-lo de patrocinar o terrorismo. Desde então, o maior exportador mundial de gás natural liquefeito fechou acordo para a compra de caças F-15 dos EUA e de sete navios de guerra da Itália e flertou com a ideia de adquirir uma participação na American Airlines. Mesmo que os preparativos para esses negócios sejam anteriores ao impasse, os analistas afirmam que o Catar está determinado a mostrar que não foi afetado pela crise.

"O Catar não se rendeu, está partindo para o contra-ataque -- e a contratação de Neymar é parte disso", disse Simon Chadwick, professor de negócios esportivos da Universidade de Salford, no Reino Unido. "É uma ofensiva de charme, uma postura indireta de poder -- há algo de diplomacia internacional em tudo isso. A última coisa que a Arábia Saudita quer é que pessoas de todo o mundo falem sobre o Catar", sobre seus investimentos nos esportes e sobre Neymar, disse ele.

Duas décadas

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egito cortaram ligações diplomáticas e de transporte com o Catar em 5 de junho, acusando o país de apoiar grupos extremistas em todo o Oriente Médio e de se aliar ao rival regional da Arábia Saudita, o Irã. O Catar negou diversas vezes as acusações.

No cerne da disputa está o esforço de duas décadas do Catar para desenvolver uma política externa em certos momentos divergente da de seus vizinhos. O país apoiou a Irmandade Muçulmana no Egito, o Hamas na Faixa de Gaza e facções armadas adversárias dos Emirados Árabes Unidos ou da Arábia Saudita na Líbia e na Síria. Em diversas ocasiões, sua emissora de televisão, a Al Jazeera, incomodou ou irritou a maioria dos governos do Oriente Médio.

O Catar também é conhecido por torrar dinheiro em ativos-troféu, por exemplo na forma de participações em empresas internacionais como Glencore e Rosneft Oil e na aquisição de propriedades famosas de Londres, como o Shard. País desértico com poucas conquistas esportivas internacionais, o Catar surpreendeu ao conquistar o direito de organizar a Copa do Mundo de 2022.

"O Catar não usa ferramentas econômicas para prejudicar seus parceiros comerciais", disse o ministro das Finanças do Catar, Ali Shareef Al Emadi, em editorial publicado pela Bloomberg na semana passada. "Também não utilizamos acordos comerciais para obter ganho político."

A contratação de Neymar pode ser um tiro pela culatra para o Catar, especialmente se os torcedores das outras equipes a considerarem prejudicial aos seus interesses -- seja aumentando os preços dos ingressos, seja diminuindo a competitividade de suas ligas, disse Marc Ganis, presidente da empresa de marketing Sportscorp. Mesmo do ponto de vista comercial, a operação foi exagerada, disse ele.

"A quantia a ser paga por Neymar é impressionante sob qualquer aspecto", disse Ganis por e-mail. "Qualquer aumento que possa ser gerado com a chegada de Neymar ao clube seria uma gota no oceano em relação ao valor que eles pagariam por este único jogador."

--Com a colaboração de Thomas Gualtieri Angeline Benoit Donna Abu-Nasr e Bill Allison

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