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Ambição da Alphabet em energia limpa passa por turbulência

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Em 16 de maio, o Makani lançou um vídeo no YouTube. Uma câmera se encaixa em um avião em forma de T com asas de 25 metros que seguram oito pequenas turbinas e um cabo que as conecta a uma estação elevada em solo. O avião flutua no ar. Ele mergulha e sobe, fazendo loop elegantemente em círculos imitando um moinho de vento, algo que o equipamento foi construído para substituir.

Durante mais de uma década os engenheiros vêm construindo esta "pipa de energia" para aproveitar a energia eólica com 90 por cento menos materiais que as turbinas eólicas convencionais. Mas o Makani, um dos mais antigos projetos de energia verde do laboratório de pesquisa X da Alphabet, tem dificuldades para decolar. O apoio de sua empresa controladora diminuiu nos últimos anos, segundo diversas pessoas que trabalharam na empresa ou com ela. Vários membros importantes do Makani foram embora. Um ex-executivo disse que o projeto é uma sombra do que foi. As pessoas ouvidas pediram anonimato por discutir assuntos privados.

A história do Makani faz parte de uma dificuldade maior da Alphabet para desenvolver uma tecnologia de energia limpa com a promessa de salvar o clima. A gigante da tecnologia é a maior consumidora corporativa de energia renovável e continua estudando ideias para o ramo. Mas desde que o Makani se juntou ao X, em 2013, a Alphabet cancelou ou deixou morrer as iniciativas de criar um sistema de redes inteligente, uma forma de produzir combustível a partir da água do mar e painéis solares flutuantes, um projeto nunca antes divulgado.

Para alguns, este é o resultado da abordagem ingênua da Alphabet para o campo. "O motivo pelo qual estão fazendo isso é a arrogância, e não a expertise", disse Saul Griffith, cofundador do Makani, que deixou a empresa em 2009. "É o triunfo da inovação sobre o rigor."

O momento também é difícil devido a todas as iniciativas do setor de energias renováveis. Os preços das fontes de energia concorrentes, como o petróleo e o gás natural, despencaram. O apoio do governo às alternativas aos combustíveis fósseis desapareceu. Dentro da Alphabet, a diretora financeira, Ruth Porat, implementou novos controles de custos e reprimiu alguns projetos ambiciosos de longo prazo e retorno incerto. "O mercado de ações não recompensa o Google por fazer coisas inteligentes no ramo de energia", disse Griffith.

Astro Teller, o chefe do X, disse que o Makani está em transição da "fase de construção" para a de implantação. A equipe lança pipas ao ar com regularidade, fazendo loop em diferentes diâmetros, velocidades e ângulos. "Neste ano elas têm sido testadas de forma muito agressiva", disse Teller em entrevista recente. "Elas fazem agora a cada quatro a seis semanas o que teria sido um milagre no ano passado." O cofundador do Google e presidente da Alphabet, Sergey Brin, disse que a empresa continua entusiasmada com a energia eólica aérea e que "o Makani demonstrou um progresso incrível nesse sentido".

Teller rejeitou a tese de que as apostas incertas da empresa em energia limpa devem ser impulsionadas por um idealismo cego. "Temos um ditado aqui: seja apaixonadamente imparcial", disse ele. "Eu não me importo com o tanto que você se preocupa com as mudanças climáticas. Se a solução proposta realmente não for um negócio que soluciona as mudanças climáticas, sua paixão em relação à mudança climática é irrelevante. Ela não vai ajudar a combater as mudanças climáticas. Por isso, devemos parar. Devemos parar imediatamente."

Para entrar em contato com o repórter: Mark Bergen em São Francisco, mbergen10@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editoria responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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